"Queremos Cavanis. O FC Porto teve Casillas, não é impossível..."

"Queremos Cavanis. O FC Porto teve Casillas, não é impossível..."
Frederico Bártolo

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Em entrevista a O JOGO, o candidato a líder da SAD nas eleições do Benfica pede arrojo nas transferências para ser grande na Europa

Bruno Costa Carvalho é o candidato do "Todos P'lo Benfica" para a liderança da SAD e esclarece o programa a O JOGO, privilegiando a aposta forte em jogadores conceituados para estar no "pelotão da frente na Europa".

O que o leva a candidatar-se?

- Somos os únicos que temos um projeto claro para o Benfica. Por imperativo, queremos um Benfica como superclube europeu. Os grandes da Europa querem jogar entre si para ter dinheiro. Ser relevante é estar na Champions porque na Alemanha, França e Itália os campeonatos são discutidos com facilidade. O Benfica tem de estar nesse pelotão da frente. O Sevilha ganhou quatro Ligas Europa e não entra na equação. O Atlético de Madrid nunca ganhou a Champions, mas como é muito regular nas fases finais vai estar nesse lote. Temos muita pressa em diminuir a diferença para os grandes da Europa. Um novo formato vai criar-se em breve e a pandemia pode acelerá-lo.

Sente-se mais preparado que em 2009, na última candidatura?

-A minha preocupação na altura era sobretudo uma questão financeira. O Benfica aproximava-se dos 500 M€ de passivo e agravava-o 40 M€ ao ano. Não tínhamos qualquer resultado desportivo com treinadores como Quique Flores e determinados jogadores... E havia um passivo galopante. O Benfica estava em falência técnica: hoje está claramente melhor nas finanças e desportivamente. Em 2016 disse que Vieira devia continuar porque fez um bom mandato. Mas agora, vamos ficar fora da Superliga Europeia e não posso deixar que tal aconteça.

Diz que Vieira, de 2012 a 2016, fez bom mandato...

-De 2012 a 2016 houve clareza e sucesso, percebia-se o que se queria. Depois, o Benfica resolveu dispensar o treinador Jorge Jesus quando era bicampeão e este nos tinha levado a duas finais da Liga Europa. Tínhamos capacidade desportiva consolidada, mas Vieira dizia que com Jesus não se podia fazer projetos nem aproveitar o Seixal. Veio o Vitória, depois o Lage para sermos campeões com os miúdos. Agora está o Jesus, que nada tem a ver com o projeto, logo andamos ao sabor do vento. A nossa lista define que precisamos da relevância de dois ou três grandes jogadores, que nos abram as portas de outros mercados, que nos valorizem as receitas de marketing. Concordámos com a ideia de ter Cavani. Achei que Vieira tinha percebido, mas afinal. Apesar de se contratarem sempre jogadores que não são para jogar, o Benfica tem bom scouting e este ano até houve mais foco em bons reforços. No entanto, esses vão dar-nos competitividade interna, mas não chamam a atenção.

Aumentar a receita, segundo o seu projeto, passa por divulgar a marca?

-Queremos cativar o mercado asiático com jogadores que vendam camisolas e que despertem interesse dos miúdos. Queremos Cavanis e jogadores relevantes. O FC Porto teve o Casillas, nós tivemos Aimar. Não é impossível. Assim espalhamos a marca Benfica. Queremos uma equipa competitiva internacionalmente e isso dá receitas televisivas e marketing. Isso por sua vez permite continuar a investir. É um ciclo virtuoso. Não se fica entusiasmado sem resultados. Hoje, o Benfica não vendendo jogadores tem um prejuízo anual de 40 M€. Queremos romper o ciclo de só pensar em vender jogadores. Não vamos deixar de o fazer, mas queremos cortar nos custos acessórios: temos jogadores a mais, muitos que vêm e que se sabe que não são para jogar.

Depreendo que concorda com o valor gasto pelo Benfica neste defeso?

-Concordo e até faltou um toque de audácia para ter Cavani. Se preconizo isso não poderia dizer que não era bem feito por Vieira. Foi um ano perdido, com o PAOK correu mal e falhámos a Champions. Tenho a certeza de que se fosse hoje passaríamos, mas correu muito mal.