"Como é que vão festejar uma conquista com milhares a morrer em Portugal e no mundo?"

"Como é que vão festejar uma conquista com milhares a morrer em Portugal e no mundo?"
Hélio Nascimento

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Willyan considera que de momento não estão reunidas as condições para o campeonato ser reatado, argumentando que em primeiro lugar está a vida das pessoas

Willyan, central do Portimonense, não foge à regra e está confinado às quatro paredes da sua residência, tentando manter alguns índices físicos mas reconhecendo, na circunstância, que se está "a passar por um momento muito complicado". Como todos os profissionais de futebol, segue "as determinações da OMS, ficando em casa, mas treinando todos os dias com o que há disponível para voltar na melhor forma possível".

Esta paragem, de resto, tem uma influência ainda difícil de quantificar. "É prematuro responder, mas em primeiro lugar vem sempre a vida das pessoas. O desporto, no mundo inteiro, está suspenso para o combate ao coronavírus. Precisamos de dar prioridade à saúde e à integridade de todos, para só depois voltarmos a pensar no futebol."

O defesa continua em Portimão, com a esposa ao lado, "passando o dia em casa e ocupando a cabeça com treinos e aproveitando também o tempo livre para estudar". Os restantes familiares permanecem no Brasil, com os quais vai falando por videochamada. "Ligo a todo o instante para os meus pais, para falar com eles e saber se, dentro do possível, está tudo bem. Mas a preocupação é geral e todos precisam de se cuidar, independentemente da idade."

NÃO SAIA DE CASA, LEIA O JOGO NO E-PAPER. CUIDE DE SI, CUIDE DE TODOS

O Portimonense tem dado "todo o suporte necessário e há contacto direto com comissão técnica e preparadores pelo WhatsApp". Para além do plano de treinos, os jogadores também receberam um programa de alimentação, para que "não haja excessos e o grupo se mantenha em forma", o que não invalida que se perca ritmo, como Willyan reconhece: "É natural que isso aconteça, já que estamos a habituar-nos a uma nova rotina. Não jogamos nem treinamos com a mesma intensidade."

Depois, de forma direta, considera que "a época deveria ser cancelada", deixando no ar uma questão pertinente. "Como é que os clubes que disputam o título vão comemorar uma conquista com milhares de pessoas morrendo em Portugal e nos outros lugares do mundo? No meu entender, não há clima."