Caso Marega: Vitória lamenta "arrepio de todas as formalidades processuais"

Caso Marega: Vitória lamenta "arrepio de todas as formalidades processuais"

Vitória de Guimarães anuncia que vai apresentar o "competente recurso" à punição com três jogos à porta fechada pelos insultos racistas dirigidos a Marega, em fevereiro, pela APCVD

O Vitória de Guimarães foi punido com três jogos à porta fechada pelos insultos racistas dirigidos a Marega, em fevereiro, pela Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto (APCVD).

Esta decisão é passível de recurso, dispondo o Vitória de Guimarães de "um prazo de 20 dias para eventual impugnação judicial". Algo que o clube minhoto fará, conforme anunciou em comunicado.

Comunicado

"O Vitória Sport Clube confirma ter sido notificado, pela Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto (APCVD), das seguintes decisões no âmbito do Processo de Contraordenação n.º 1-266-2020, relativo ao jogo Vitória SC x FC Porto referente à épocaI Liga 2019/2020:

- Coima no valor global de 55.000,00€;
- Sanção acessória de realização de um jogo à porta fechada por violação do dever de garantir o cumprimento das regras e condições de acesso e permanência de espectadores no recinto desportivo;
- Sanção acessória de realização de um jogo à porta fechada por apoio a Grupo Organizado de Adeptos (GOA) não registado;
- Sanção acessória de realização de um jogo à porta fechada por violação do dever de zelar pelo comportamento dos GOA.

Não podendo deixar de registar que esta decisão tenha sido publicamente pré-anunciada pelo Presidente da APCVD, Rodrigo Cavaleiro, ao arrepio de todas as formalidades processuais, o Vitória Sport Clube informa que vai apresentar o competente recurso."

O caso ocorreu há oito meses, no Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães, durante o jogo de futebol entre o Vitória de Guimarães e o FC Porto, que os "dragões" venceram por 2-1.

Por volta dos 70 minutos, pouco depois de ter marcado o golo da vitória "azul e branca", Marega, que já alinhou nos vimaranenses, pediu para ser substituído e acabou mesmo por abandonar o relvado, agastado com cânticos de natureza racista que lhe estavam a ser dirigidos por adeptos do Vitória, com sons a imitar macacos.

O caso também originou uma investigação da Polícia de Segurança Pública (PSP) às câmaras da videovigilância do estádio vimaranense, com a colaboração do Vitória, de forma a serem identificados os eventuais autores dos insultos racistas e um processo-crime do Ministério Público (MP) "por atos de discriminação racial".

Três adeptos do emblema vimaranense estão a ser julgados no Tribunal de Guimarães, pelo crime de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, punido com pena de prisão de seis meses a cinco anos, desde 25 de setembro.