Um drama no Campeonato de Portugal: "Somos tratados como bichos"

Um drama no Campeonato de Portugal: "Somos tratados como bichos"

Plantel do Cesarense reclama dois meses de ordenados em atraso e diz que não há condições para trabalhar. Esta semana não vão treinar.

Sem receber ordenados há dois meses, o plantel do Cesarense, do Campeonato de Portugal, queixa-se de estar ao "abandono" e sem condições mínimas para treinar. Na segunda-feira, os jogadores não trabalharam devido à falta de água no Estádio do Mergulhão, e ontem, depois da folga semanal, apresentaram-se no recinto mas nem se chegaram a equipar. Até domingo, dia em que recebem o líder Gondomar, em jogo da 26.ª jornada da Série B, os jogadores mantêm o protesto e não voltarão a calçar as chuteiras.

O caso foi denunciado, ontem, pelos atletas e pela equipa técnica a O JOGO. "Estamos a viver uma situação muito complicada", lamentou o capitão Diogo Almeida, vincando que o grupo "está completamente ao abandono já há algum tempo" e revelando que os jogadores, sobretudo os estrangeiros, "estão a passar dificuldades". "Alguns foram contratados em dezembro e até hoje ainda não receberam um cêntimo", queixou-se o guarda-redes, que foi o porta-voz do plantel, reunido na sala da Direção do clube. Diogo Almeida apelou ainda à ajuda de todos os cesarenses para que este momento negro seja ultrapassado. "Antes de sermos jogadores de futebol somos seres humanos e estamos a ser tratados como bichos. Estamos unidos para pedir aos cesarenses que nos ajudem, porque a situação está muito complicada", apelou o capitão, revelando que "não há condições mínimas" para os jogadores treinarem. "Não temos água, as bolas de treino estão completamente inutilizáveis, não temos vestuário de treino desde que houve um incêndio na rouparia", contou Diogo Almeida, que cumpre a segunda época no emblema do concelho de Oliveira de Azeméis.

Reconhecendo que os resultados desportivos "não têm sido os melhores" - a equipa não vence desde a 10.ª jornada, a 4 de novembro - Diogo Almeida garantiu que os jogadores "têm honrado" a camisola que vestem e atribuiu a falta de triunfos à "instabilidade emocional". "Não nos podem acusar de não sermos dignos. Estamos todos aqui desde o primeiro dia a trabalhar e a honrar o símbolo do Cesarense. Domingo há jogo e nós vamos comparecer. Vamos honrar o símbolo que temos ao peito e vamos ser dignos", prometeu.

Com Paulo Santos, presidente da Direção, demissionário, o líder da Assembleia Geral, Luís Pinho, diz compreender a situação dos jogadores e apela ao apoio dos associados para a resolução desta situação. Na passada sexta-feira, o presidente da AG reconheceu, em declarações a O JOGO, que "a situação está caótica", acrescentando que "a dívida atual poderá chegar aos 300 mil euros". "Deu-se um passo maior do que a perna", lamentou Luís Pinho.

Treinador está ao lado do plantel

No clube há dois meses, Luís Miguel Martins também garante não ter recebido um cêntimo. O treinador - o terceiro da época, depois de Bruno Conceição e Fernando Pereira - está ao lado dos jogadores e cancelou os treinos de hoje e de amanhã por considerar que "não há condições materiais nem psicológicas para treinar", evitando, assim, que os jogadores tenham mais gastos com deslocações. "Pedi a algumas pessoas do clube para, pelo menos, assegurarem as refeições aos jogadores estrangeiros. Isso é o mínimo", disse o técnico, revelando que, durante a semana, no estádio, apenas estão a equipa técnica, o fisioterapeuta, o técnico de equipamentos e os jogadores. "Mais ninguém está connosco e decidimos tomar esta posição", explicou.