"As equipas africanas são guerreiras e temos de estar focados"

"As equipas africanas são guerreiras e temos de estar focados"
Redação com Lusa

Tópicos

Portugal prioriza pleno de vitórias com Argélia antes de novos voos.

O ponta direita Pedro Portela e o guarda-redes Humberto Gomes admitiram este domingo a importância de Portugal consumar o pleno de vitórias frente à Argélia, na derradeira jornada do Grupo F da primeira fase do Mundial.

"É outro jogo complicado. Eles querem passar, viram o nosso jogo contra Marrocos e acham que terão as suas possibilidades. As equipas africanas são guerreiras e temos de estar focados para não cometer os erros do início do último jogo. Estou certo de que entraremos de outra maneira", frisou Pedro Portela, em videoconferência de imprensa.

Os heróis do mar confirmaram no sábado uma vaga na segunda fase do Campeonato do Mundo, a decorrer no Egito, ao derrotar Marrocos (33-20), dois dias depois da estreia vitoriosa frente à Islândia (25-23), medindo forças com a Argélia na segunda-feira.

"Para já, foi um passo decisivo para a ronda principal. Sabemos perfeitamente que, ao entrar nesse patamar com quatro pontos, somos candidatos a jogar qualquer partida cara a cara com os próximos adversários. Como o professor Paulo Jorge Pereira disse, temos de ter sonhos altos e sonhar com uma medalha", partilhou Humberto Gomes.

Portugal lidera com quatro pontos, mais dois do que Islândia e Argélia, enquanto Marrocos já está praticamente afastado da próxima fase, que vai incluir os três primeiros colocados dessa "poule", com os pontos somados entre eles, além da França e outros dois oponentes do Grupo E.

"Em primeiro lugar, temos de eliminar França, Noruega e Suíça na ronda principal para depois cruzarmos com a Espanha ou a Alemanha. É um caminho longo e sabemos do trabalho enorme que temos pela frente, mas somos ambiciosos e acho que podemos bater-nos com essas seleções para chegar às medalhas", vincou Pedro Portela.

O ponta direita, de 31 anos, sobressaiu na vitória sobre Marrocos, ao ser o elemento luso mais concretizador, com nove remates certeiros em 11 tentativas, num encontro em que os pupilos de Paulo Jorge Pereira apenas "entraram nos eixos" depois do intervalo.

"Não começámos bem e fizemos acreditar Marrocos que nos podia criar problemas. O treinador falou-nos dos erros que estávamos a ter e do que falhámos no ataque. Na segunda parte estivemos muito bem na defesa e isso deu-nos a possibilidade de marcar golos fáceis e distanciar no marcador", analisou o atleta dos franceses do Tremblay.

Se Pedro Portela foi eleito o jogador mais valioso (MVP) do jogo, Humberto Gomes, de 43 anos, evidenciou-se no lugar do guarda-redes titular Alfredo Quintana, rubricando 16 defesas na quadra do New Capital Sports Hall, em New Administrative Capital.

"É um privilégio e um orgulho sem medida ter conseguido ficar nesta família para disputar um Mundial. Ontem [sábado] houve uma pequenina alegria com a qualificação para a "main round". Fiquei muito feliz individualmente, porque consegui ajudar a equipa. Espero ter muitas mais alegrias iguais e estar ainda melhor nas batalhas que aí vêm", afiançou.

O jogador mais veterano dos 20 convocados de Paulo Jorge Pereira atribui ao "trabalho e ao gostar imenso" da modalidade a longevidade na carreira, tendo detetado uma "mudança de mentalidades" entre a estreia no Euro2004 e a atual geração de andebolistas nacionais.

"Isso notou-se bem ontem [sábado] no final do jogo: se fosse noutros tempos tínhamos todos saltado de alegria e feito uma festa imensa pela qualificação para a ronda principal. Só que a malta quase não festejou, porque quer mais qualquer coisa. Achamos que foi algo normal e demos mais um passo, mas as nossas metas estão lá mais à frente", notou.

O guarda-redes do Póvoa AC valoriza a renovação do andebol português, celebrizada com o histórico sexto lugar no Euro2020, que viveu de forma emocionada, sobretudo depois do triunfo sobre a Hungria (34-26) na última jornada da fase principal.

"O caminho deles continuará durante muitos e bons anos e o meu está quase a acabar. Não sei quando, mas eles terão muitos mais anos disto do que eu. Controlar emoções? Se as coisas correrem tão bem como no Europeu e consigamos chegar a uma fase mais adiantada e ganhar uma medalha, de certeza que essa lágrima vai aparecer", prometeu.