Um Ginásio Clube de Santo Tirso para a comunidade

Um Ginásio Clube de Santo Tirso para a comunidade

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Manuel Perez

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Com quase seis décadas de existência, o Ginásio Clube de Santo Tirso, fundado por um apaixonado do voleibol, oferece aos tirsenses, e não só, uma diversificada gama de modalidades

A 30 quilómetros do Porto, quando alguém diz "vou ao ginásio" não se está a referir a um desses espaços muito concorridos nas grandes metrópoles, mas extremamente limitados na oferta desportiva. Em Santo Tirso, "ir ao ginásio" significa frequentar as instalações daquele que é um ex-líbris do ecletismo na região.

Desde a fundação, em 16 de setembro de 1961, que o Ginásio Clube de Santo Tirso (GCST) tem por objetivo, aliás bem definido nos estatutos, a "intenção de proporcionar aos habitantes da cidade e do concelho condições para o desenvolvimento integral dos seus jovens, nos aspetos desportivos, culturais e sociais". Os tempos mudaram, mas o vigor do clube mantém-se e as portas abriram-se também a pessoas de idade avançada, quanto mais não seja desde a inauguração da piscina, em 1992, recebendo mais de meio milhar de utentes, em várias vertentes, como a natação para bebés ou as classes de manutenção específica, por exemplo a hidroginástica para os mais idosos.

Com 3000 sócios, 600 dos quais praticantes federados em nove modalidades, o Ginásio de Santo Tirso "está a rebentar pelas costuras", como faz questão de alertar Fernando Vale, a cumprir o segundo dos três anos de mandato como presidente da Direção. A procura continua a ser grande e é tudo feito e pensado para que não haja falhas na oferta. "Para além das nossas instalações, somos o principal utilizador do pavilhão municipal", refere, no âmbito de mais um dos muitos protocolos de cooperação celebrados, entre outras entidades, com a câmara municipal, a junta de freguesia, a Escola Secundária D. Dinis ou ainda a Escola Profissional Agrícola Conde São Bento, sendo que alguns dos alunos forasteiros que a frequentam recorrem ao Ginásio para "dar continuidade à prática de determinada modalidade, como o andebol, e revelando-se atletas de bom nível", destaca Carlos Amaral, vice-presidente e responsável precisamente pela secção de andebol. O antigo guarda-redes do Boavista, natural do Porto e radicado em Santo Tirso, orgulha-se da recente e colossal "cavalgada" que em quatro épocas "levou o clube a subir do campeonato regional para a III, II e I Divisão". "Temos oito escalões, só masculinos, pois para o feminino não há espaço físico e material", esclarece, lembrando, contudo, o caso do voleibol: "Temos ambos os sexos em 14 escalões e chegam a estar três equipas ao mesmo tempo no pavilhão."

Enaltecendo a quantidade de famílias tirsenses cujas gerações - desde a década de 1970 - continuam ligadas ao Ginásio, Fernando Vale lembra a importância de contribuir para uma qualificada prática desportiva através dos "40 técnicos que os praticantes têm à disposição" e nos quais o clube aposta "fortemente". "A grande aposta é na formação, porque depois outros clubes vêm aqui buscar os melhores. Por isso fazemos um maior investimento técnico, pois vale sempre a pena dar algo mais por um bom treinador", acrescenta, sem que tal desequilibre as contas. "Como já dizia o fundador, não damos passos maiores do que as pernas", conclui.

Origem: voleibol em terra batida e depois da missa

Carlos Mesquita é um antigo dirigente do Ginásio que, nesta visita de O JOGO, serviu de cicerone e espécie de historiador. Recordou os primórdios de um clube que está instalado nos antigos terrenos do horto e canil municipais e cuja atividade desportiva arrancara anos antes, através do desporto predileto de Manuel Calém (fundador): o voleibol. Jogava-se essencialmente depois das missas, num campo de terra batida, na escarpa dos jardins da Praça 25 de abril, perto do Mosteiro de São Bento. A estreia desse campo fez-se com o voleibol, mas, após a inauguração (1975), o Complexo Desportivo Comendador Manuel Calém serviu para a comunidade experimentar um ainda muito pouco popular ténis. Foi uma questão de baixar a altura da rede, apertar a malha e criar as marcações no terreno para se darem umas raquetadas.

Manuel Calém impulsionador

Fernando Vale (presidente da Direção), Carlos Mesquita (antigo dirigente) e Carlos Amaral (vice-presidente) posaram junto ao monumento que homenageia Manuel Calém, fundador do Ginásio Clube de Santo Tirso, para além de jogador da primeira equipa dessa coletividade, como foi o caso do voleibol. A figura do comendador - trabalhada de um modo muito original e fazendo lembrar um quadro recém-acabado -, que dá também o nome ao complexo desportivo, é da autoria de Manuel Dias, o mesmo artista que esculpiu o ardina, ícone da baixa portuense (Praça da Liberdade). Manuel Calém (1930-2016) lutou pelo mais puro amadorismo, sem, contudo, menosprezar a importância de um ou outro resultado desportivo obtido em determinadas modalidades, de modo a reforçar a importância do clube no âmbito concelhio, regional e nacional.

Futebol ficou bem no fundo da rua

Relativamente àquilo que se passa na cidade de Santo Tirso em termos de clubes de futebol, continua a caber ao FC Tirsense o papel de embaixador, ainda que (muito) longe dos tempos de glória. O clube, fundado em 1938, viu surgir 23 anos mais tarde o Ginásio Clube de Santo Tirso e logo nesses primórdios chegou-se a uma espécie de acordo de cavalheiros de modo a que o futebol fosse um exclusivo do Tirsense, cabendo ao Ginásio a criação de todo um ecletismo, ou seja, tendo inteira liberdade para optar por qualquer outra modalidade. É possível verificar, pelo que ficou escrito, que, neste caso, o futebol fica mesmo ao fundo da rua, ou seja, quando termina a da Misericórdia e surge a rua perpendicular onde se situa o Estádio Abel Alves de Figueiredo. Ser ginasista e adepto do FC Tirsense tem, pois, todo o cabimento...