Maradona, o génio inigualável

António Pires

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Maradona partiu esta quarta-feira aos 60 anos e o céu ganhou a estrela mais cintilante que o futebol alguma vez conheceu.

Para quem nasceu na década de 70 e se apaixonou pelo futebol na década seguinte, Maradona tornou-se referência obrigatória e para muitos, como é o meu caso, um ídolo e o génio inigualável que hoje, precocemente, partiu aos 60 anos. El Pibe foi um furacão de categoria 5, a máxima na escala de Saffir-Simpson, e despontou na Argentina ainda antes dos 16 anos.

A sua genialidade conhecia-a pela primeira vez nas páginas dos jornais e quando chegou o Mundial'1982, e já se sabia que iria jogar no Barcelona por um valor recorde, estava em pulgas para o ver no jogo de estreia do campeonato do Mundo.

Campeã em título, a Argentina perdeu por 1-0 com a Bélgica, mas fiquei logo apaixonado pela forma de jogar de Maradona, um artista com a bola, com uma arrogância e coragem fora do normal. A glória não lhe estava reservada para esse ano, a Itália ganhou o título e El Pibe despediu-se do Mundial com um cartão vermelho por dar um pontapé em Batista, jogador do espectacular escrete de Zico, Sócrates, Falcão e companhia.

Mas, em 1986, Maradona chegou ao Mundial do México pronto para subir ao Olimpo e levou a Argentina ao colo até ao título, com exibições, golos e assistências que ficarão para sempre na memória coletiva, nomeadamente os dois golos nos quartos de final frente à Inglaterra: a famosa "mão de Deus" e o slalom em que fintou meia equipa inglesa para marcar aquele que é considerado o melhor golo de sempre em campeonatos do Mundo.

Não precisaria de ter visto mais jogos de Maradona para considerá-lo o melhor de sempre. Pela sua genialidade, confiança, inteligência e coragem - sim porque era preciso muita coragem para enfrentar os caceteiros de então da forma como ele os enfrentava. Mas ele fez muito mais. Deu ao Nápoles os seus dois únicos scudetti e mostrou inúmeras vezes que era um predestinado que nos dias de hoje, com muito maior proteção dos árbitros e escudado em superequipas não teria rival.

Tive o privilégio de o ver uma só vez em campo, no Estádio José Alvalade, num nulo frente ao Sporting para a Taça UEFA. Suplente, El Pibe começou a aquecer na segunda parte debaixo de enorme assobiadela, mas eu, timidamente, bati palmas, afinal, tinha um póster dele no meu quarto desde 1986! Não me recordo muito do que fez, nada de extraordinário, uma ou outra finta, algum passe de classe. Mas sei que saí bem mais feliz do estádio por o ter visto jogar.

Apesar de um final de carreira pouco digno, de todas as polémicas em que se envolveu fora dos relvados e comportamentos impróprios ou maus exemplos - a prova de que os génios não são perfeitos - nada nem ninguém vai tirar da minha cabeça que o céu ganhou a estrela mais cintilante que o futebol alguma vez conheceu.