Sucesso está sempre dependente das boas escolhas de treinadores

Sucesso está sempre dependente das boas escolhas de treinadores

TÁTICA DO PROFESSOR - A crónica semanal de Jesualdo Ferreira

1 - Já não é a primeira vez que o digo, mas, porque me parece importante, vale a pena repetir: o sucesso dos projetos depende imenso das boas escolhas que se fazem, quer por parte das Direções quer por parte dos treinadores.

Esta ideia vem-me à cabeça sempre que, por exemplo, há uma mudança de treinador numa equipa, aproveitando-se normalmente uma paragem competitiva por via das seleções para se proceder às chamadas chicotadas psicológicas, como se, em dez ou 12 dias, uma nova escolha fosse capaz de retificar o que eventualmente estava mal.

Reparem, passaram quatro jornadas do campeonato e já houve três mudanças de treinador: Keizer (Sporting), Silas (Belenenses) e Filipe Rocha (Paços de Ferreira).

No primeiro caso, estamos a falar de um treinador estrangeiro, que entrou com a época já em andamento num quadro muito difícil mas que até acabou por levar a equipa à conquista da Taça da Liga e da Taça de Portugal, algo que já não acontecia há um tempo. Acreditou-se, muitos acreditaram, que estava encontrado o homem certo para seguir para esta época, mas dois desaires (derrota na Supertaça e derrota com o Rio Ave em casa) foram suficientes para o seu afastamento, para tudo ser posto em causa.

O caso de Silas também não deixa de ser "sui generis". No início da época, ouvi várias vezes esta ideia: Silas foi adotado pelo Belenenses. E, pronto, ao fim de quatro jornadas o filho adotado deixou de ser desejado. Não questiono aqui as opções de quem dirige e de quem toma as decisões, mas são momentos que nos deixam a pensar sobre a forma como se parte para os projetos, como eles são feitos.

Já se sabe que, no início de uma época, a margem de erro é larga, mas depois vai apertando à medida que a época vai avançando e que os resultados vão sendo bons ou não. Quando não o são, paga o treinador. É a lei do futebol, provavelmente a mais injusta de todas. Há ainda o caso de Filipe Rocha, do Paços de Ferreira.

O treinador foi o escolhido para suceder a Vítor Oliveira, mas não teve tempo para dizer sim e não... São três, então, os treinadores que já conheceram este tipo de decisões e, por este andar, quantos mais serão até ao final da época? Quando se parte para um projeto, repito, é muito importante fazer boas escolhas, tem de haver uma grande capacidade de gestão, de liderança e visão, porque no início de uma época nunca sabemos o que vai acontecer para a frente e tem de haver uma preparação grande nesse sentido. De todos!

2 - Sabemos o sucesso que foi a substituição de Rui Vitória por Bruno Lage no Benfica. Uma espiral de sucesso que se estendeu para a presente época. Não sei se foi essa a ideia que prevaleceu nas escolhas que fizeram entretanto o Sporting e o Belenenses, que foram buscar também os treinadores dos sub-23, mas copiar uma ideia pode não ser bom, pode não dar o resultado esperado.

Atenção, nada disto que digo tem a ver com a qualidade de Leonel Pontes, no caso do Sporting, e de Pedro Ribeiro, do Belenenses. Estão fora disto. É apenas um alerta para que as expectativas não sejam altas ao ponto de saírem defraudadas em pouco tempo. E o ideal mesmo é que as opções resultem, porque o futebol não pode ser feito à chicotada.