Premium Política no Mundial de Clubes

Faz lembrar os processos com que Emílio Médici aproveitou o Mundial de 1970 para se consolidar como ditador. E, portanto, lamento esta derrota por Jesus, mas não pela Civilização.

A derrota do Flamengo no Mundial de Clubes foi a derrota de um grande treinador, que o mundo ignorou durante demasiados anos - porque tem um feitio difícil, porque não se expressa bem, porque não fala inglês, porque não tem estilo -, mas também foi, paradoxalmente, o triunfo do Bem sobre o Mal.

Ainda há dias, de passagem por Madrid para uma conferência na World Football Summit, Peter Moore explicou como foi a solidariedade, o espírito de corpo e a responsabilidade social - enfim, aquilo a que quis chamar "socialismo" - a levar de volta o Liverpool ao topo. Os investidores querem os dividendos reinvestidos no clube, os jogadores são escolhidos por competências, o treinador é um humanista e tudo isto enforma um conjunto de valores e estratégias que contrariam o vórtice mercantilista do futebol global, ainda que socorrendo-se dele para vingar. Tínhamos muito a aprender com o atual Liverpool, aqui em Portugal - até face ao modo deliberado com que o nosso futebol caminha para a irrelevância.