Um dia só

Joel Neto

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FORA DA CAIXA - Um artigo de opinião de Joel Neto.

As notícias sobre o impacte do PSG-Borussia na disseminação da covid-19 em Paris não são apenas mais uma prova de que, na generalidade, os franceses (como os espanhóis) demoraram mais do que - por exemplo - os portugueses a aceitar os perigos do coronavírus. É também um rude golpe na instituição dos jogos à porta fechada.

Também é daí que vêm a disponibilidade do Brescia para descer de imediato à segunda divisão italiana, desde que não tenha de jogar; a indignação de Overmars, agora director do Ajax, com a insistência da UEFA em manter os campeonatos em suspenso; e, claro, a recomendação do Conselho da Liga que, na Bélgica, levará provavelmente à atribuição imediata ao Club Brugge, líder provisório da Jupiler Pro League, do título de campeão.

Há cada vez mais gente com medo. E o medo tem razão de ser.

Evidentemente, a situação belga é distinta da nossa: o Brugge leva 15 pontos de vantagem, enquanto em Portugal FC Porto e Benfica estão colados. Mas a aprovação da medida, aliás quase garantida, deixará também as despromoções, bem menos decididas, a cargo da secretaria. E não surpreenderá ninguém se isso gerar um efeito-dominó Europa fora.
Vamos ter de perceber todos que esta época está perdida e o futebol não poderá voltar. A fazê-lo, terá de ser por um dia só, com finalíssimas e liguilhas à porta fechada, cordões sanitários à volta dos estádios e um policiamento rigoroso das ruas e locais de ajuntamento em todo o país.

Ainda creio ser a melhor solução, mas não vejo como isso possa acontecer muito antes do limite de Julho - até face à disponibilidade das forças de segurança. E, mesmo assim, vamos a ver. Temos podido contar com os portugueses. Connosco. Mas vale a pena lembramo-nos de como, frequentemente, nos comportamos tanto nas vitórias como nas derrotas, suspendendo a noção de medida e a civilidade a pretexto do futebol.