Premium Vem de dentro ... e é poderosíssimo

Vem de dentro ... e é poderosíssimo

Pode-se conquistar o mundo com uma ferramenta assim. E foi o que Jesus fez, mesmo se se trata "apenas" de futebol: conquistou uma fatia do mundo e continua a ter a certeza absoluta de que, se lhe permitirem essa oportunidade, conquistará a outra

Leem-se as entrevistas de Jorge Jesus, ouvem-se as suas conferências de imprensa e intervenções de circunstância, e é impossível não invejar aquela autoestima. Claro que estamos a falar, hoje, de um dos treinadores mais vitoriosos de Portugal e - seguramente - de um dos melhores treinadores mundiais da última década. Mas houve um tempo em que esse homem, que atinge o seu zénite (pelo menos, para já) na idade com que nove décimos dos portugueses suspiram pela reforma, não era treinador do Flamengo, nem do Benfica, nem do Sporting. Andava pelo Amora, pelo Felgueiras, pelo Estrela da Amadora, e ninguém se lembraria de lhe perguntar quais eram os "únicos clubes" capazes de o fazerem mudar de rumo, porque no fundo esses "únicos clubes" eram todos.

Apesar disso - e eu conheci-o na altura, jovem repórter eu, já homem adulto ele -, tinha esta mesma confiança em si mesmo. Digo confiança, mas não é essa a palavra: era certeza - certeza de que seria, talvez até de que já era, um dos melhores treinadores do mundo. Nada disso se aprende por se ouvir dizer, por se ler num livro de autoajuda ou sequer por se ver concretizado em outrem. Nasce connosco, uma coisa assim. E, como o seu caso comprova, pode fazer alguém suplantar uma educação medíocre, uma carreira mediana (quando muito) como jogador, um trajeto gradual (e de crescimento às vezes exasperantemente lento) como treinador - sempre com a certeza absoluta de que o triunfo é certo.