Premium Candidatos separados por 11 metros e 3 centímetros

Candidatos separados por 11 metros e 3 centímetros
Jorge Maia

Tópicos

CARA E COROA - Um artigo de opinião de Jorge Maia, diretor adjunto de O JOGO.

1 Há dois dias Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, propôs a introdução de linhas mais grossas no VAR para análise de foras de jogo, sublinhando que "as equipas não podem ser arruinadas por uma má decisão". O mesmo dirigente foi mais longe, sublinhando que a colocação das linhas "é subjetiva" e reforçando a evidência manifesta pelo próprio protocolo: "Tem de existir um erro claro e óbvio para o VAR intervir". Serve a introdução para contextualizar a natural frustração de Sérgio Conceição no final do jogo de ontem, depois de ter visto o golo que lhe poderia ter dado a vitória anulado por três centímetros, tirados por uma linha desenhada à altura dos ombros dos dois jogadores envolvidos. Onde começava exatamente o ombro de Soares nas imagens disponíveis? O VAR Vasco Santos não teve dúvidas: começava três centímetros adiantado em relação ao de Aderlan Santos. Erro claro e óbvio, golo anulado. Mais estranho, apesar de tudo, é que também não tivesse dúvidas no lance da eventual grande penalidade sobre Marega, aos 55". Nem sequer as suficientes para aconselhar Soares Dias a rever o lance que, tanto os juízes do Tribunal de O JOGO como o árbitro do programa Juízo Final, da Sport TV, consideraram passível de penálti.

Curiosamente, Vasco Santos foi o único VAR até agora a pedir desculpa publicamente por um erro de análise: por sinal, um penálti assinalado a favor do FC Porto no duelo com o Portimonense. Claro que ninguém sabe se o FC Porto converteria o penálti, mesmo que ele tivesse sido assinalado. De resto, basta olhar para o exemplo do Benfica, que nos últimos dois jogos beneficiou de nada menos que quatro grandes penalidades e converteu apenas duas. Aliás, os últimos dois golos dos encarnados foram precisamente esses dois penáltis convertidos por Pizzi, que chegaram para evitar outras tantas derrotas e manter a distância para o FC Porto no ponto que se regista hoje. O equilíbrio na luta pelo título é bom para a competição, mas é importante que resulte apenas daquilo que os dois candidatos produzem nos respetivos jogos. Com a pressão a aumentar, à medida que o final da temporada se aproxima, é fundamental que as decisões das equipas de arbitragem sejam, no mínimo, compreensíveis para não alimentarem teorias da conspiração que minam a confiança dos adeptos no jogo.