Premium "Uma goleada por 10-0 no campeonato é uma espécie de eclipse solar"

"Uma goleada por 10-0 no campeonato é uma espécie de eclipse solar"

A goleada histórica que o Benfica impôs ao Nacional pode ter sido excecional, mas não foi um acidente

Todas as vitórias são iguais, mas há algumas mais iguais do que outras. Uma goleada por 10-0 no campeonato é uma espécie de eclipse solar, algo que só acontece uma ou duas vezes em cada século quando todos os astros se alinham, e que diz bastante sobre a equipa que a impõe e alguma coisa sobre a que a consente. Porque a verdade é que houve um momento, no jogo de ontem na Luz, em que o Benfica esteve a jogar sozinho perante um Nacional catatónico. Quando se começa a perder aos 30 segundos de jogo, quando se chega ao intervalo a perder por três, quando se chega à hora de jogo a perder por seis, é natural perder também a noção do tempo e do espaço, como se tudo não passasse de um pesadelo do qual não se consegue acordar. Claro que isso não diminui em nada o mérito da goleada imposta pelo Benfica. Desde logo porque, apesar da impotência do Nacional, foi mesmo muito mais uma goleada imposta do que consentida. Imposta pela pressão alta no meio-campo, pela velocidade no ataque e pelo entendimento quase telepático entre os homens da frente dos encarnados que parece tão distante do Benfica da primeira volta que quase contraria a evidência de que Bruno Lage só leva um mês à frente da equipa. Claro que seria insensato tomar um resultado tão excecional como a medida exata daquilo que vale o Benfica de Lage, até porque há o exemplo de Keizer a avisar contra os riscos das primeiras impressões pós-chicotadas psicológicas. Ainda assim, depois de duas vitórias claras sobre o Sporting, incluindo uma goleada imposta em Alvalade, é impossível olhar para o atropelamento do Nacional apenas como um acidente.