Muito pouco, muito tarde

Jorge Maia

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A FIFA chegou fora de tempo ao combate contra o Coronavírus

Gianni Infantino, presidente da FIFA, reuniu-se ontem em Genebra com o diretor-geral da OMS para discutir a situação criada pela pandemia Covid-19 e debater as medidas a serem tomadas para conter a propagação do vírus. Do encontro resultou a seguinte declaração: "As instâncias desportivas devem ter sempre em mente que a saúde vem antes de tudo o resto. Todas as instituições desportivas devem estar preparadas para seguir as instruções de cada Governo, com base na avaliação de risco, para organizar eventos seguros ou tomar medidas que protejam a saúde de adeptos, jogadores, treinadores e todos os outros". Uma declaração que seria sensata e inatacável se, por exemplo, tivesse sido produzida há um mês.

Ontem foi dia 13 de março. Até à véspera, dia 12, havia 19 campeonatos suspensos, 8 com jogos à porta fechada e dois com o arranque da temporada adiado indefinidamente. Talvez a FIFA seja simplesmente demasiado grande para conseguir reagir em tempo útil ao que acontece à sua volta. Ou talvez tenha demasiados "stakeholders" e "partners" e "sponsors" para usufruir da liberdade necessária para fazer o que está certo enquanto é útil. Felizmente, a maior parte das federações e ligas nacionais, incluindo as portuguesas, tiveram o bom senso de não esperar por um sinal antes de tomarem as decisões necessárias para protegerem "a saúde de adeptos, jogadores, treinadores e todos os outros". De resto, em vez de perder tempo a dizer o que toda a gente percebeu antes dele, talvez Gianni Infantino devesse estar a pensar exatamente de que forma pode mobilizar os significativos recursos da FIFA - e já agora das restantes confederações, a começar pela milionária UEFA - para apoiar a recuperação do futebol mundial no "day after" da pandemia.