O futuro hoje

Diminuir o impacto do vírus em termos desportivos e económicos determinará a capacidade do futebol para se reerguer no pós-pandemia.

Há alguma expectativa em torno da reunião de hoje entre a UEFA e as 55 federações europeias para discutir o reagendamento do que resta da temporada. O próprio presidente da Liga, Pedro Proença, o admitiu ontem, sublinhando a importância das "orientações" que cheguem dos organismos internacionais em relação ao futuro das competições e reafirmando a vontade dos clubes voltarem ao ativo logo que seja possível.

Não é difícil imaginar que a prioridade da UEFA seja a mesma. O adiamento do Europeu de 2020 para o próximo ano desobstruiu o calendário, mas terá custado cerca de 2500 milhões de euros. Perder também as receitas correspondentes à Liga dos Campeões e à Liga Europa, cerca de 3000 milhões de euros, poderia ter efeitos catastróficos para aquele organismo. Ora, concluir as provas europeias de clubes exige, até por questões de verdade desportiva, que as equipas que as disputam estejam em atividade.

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Considerando que a evolução da pandemia está em diferentes estágios nos diversos países europeus, ganha força a hipótese de prolongamento da atual temporada pelo verão, talvez até adiando o arranque da próxima para o inverno, como sugeriu recentemente André Villas-Boas e reforçou ontem Karl-Heiz Rummennigge, do Bayern de Munique. Claro que essa possibilidade também terá custos e implicará que a próxima época seja desenhada numa versão condensada. Mas concluir os campeonatos, a Liga dos Campeões e a Liga Europa, reduzir ao mínimo possível o impacto desportivo, mas também financeiro do vírus determinará a capacidade que o futebol, como um todo, terá para se reerguer no pós-pandemia.