Premium O racismo e a carta anti-André Ventura

O racismo e a carta anti-André Ventura
José Manuel Ribeiro

Tópicos

Vêm aí mais lágrimas de crocodilo pelo discriminação, mas Ricardo Araújo Pereira enxugou-as de véspera

Shade Pratt, jogadora do Braga, atirou-nos (também) para debaixo do camião do racismo que o Bulgária-Inglaterra pôs esta semana em contramão. Na Europa, e se calhar aqui, vamos discutir o costume e dizer o costume, para daqui a uns dias acontecer o costume. O que não era costume, e chocou algumas mentes delicadas, era haver cartas subscritas por sócios a pedir aos clubes que deem bons exemplos. Um grupo de benfiquistas, com Ricardo Araújo Pereira como cabeça de cartaz, fê-lo a propósito do neo deputado (e neo outras coisas piores) André Ventura.

Esse é mesmo um mar nunca antes navegado, ao contrário de tudo o que vai ser dito nos casos da Bulgária e de Shade Pratt: pedir a entidades reverenciadas por milhões que, em vez de palavras de circunstância, façam qualquer coisinha. O Benfica é contra o racismo. Não sei se o tweet já saiu desta vez, mas o Benfica (como outros) esforça-se muito para ser contra coisas más que estejam longe ou sejam culpa dos outros e a favor de coisas boas a que possa ficar ligado. Foi assim com o Chapecoense, com os incêndios, com as inundações em Moçambique, etc. Mas ser contra o racismo é o mesmo que ser contra os incêndios ou contra as inundações.