Premium Sporting: jogada de enorme risco por um aprendiz de feiticeiro

Sporting: jogada de enorme risco por um aprendiz de feiticeiro
Samuel Almeida

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RUGIDOS DO LEÃO - Um artigo de opinião de Samuel Almeida.

O que distingue a contratação de Rúben Amorim de Keizer ou Silas? Nada, exceto o pequeno pormenor que o primeiro implica um investimento de cerca de 20 M€ pela SAD leonina (10 M€ mais IVA e cerca de 7 M€ de salários até 2023). São todos jovens, sem currículo, sem habilitações e todos apostariam na formação e são os homens certos para levar adiante o projeto para o futebol sportinguista. O problema é que toda a gente já percebeu que não existe qualquer projeto desportivo, numa deriva de escolhas sem critério que compromete o futuro imediato do Sporting. Esta administração já desbaratou, até ao momento, cerca de 67 M€ em aquisições, das quais 52 M€ em jogadores mais os 12 M€ de Rúben e cerca de 3M€ em indemnizações a treinadores. O mais trágico disto tudo é que o valor bruto do plantel do Sporting diminui de 140 M€ para 110 M€ no último ano e ainda falta reconhecer a saída de Bruno Fernandes. É um desastre financeiro e desportivo e só assim se compreende a decisão de pagar 12 M€ por um treinador com 9 jogos na I Liga. É uma jogada de enorme risco por um aprendiz de feiticeiro.

Para perceber a dimensão do risco, temos de olhar um pouco mais detalhadamente para as contas semestrais da SAD leonina. Assim, os rendimentos operacionais (bilheteira, patrocínios, TV e prémios de participação nas competições europeias) baixaram 1,4 M€, sendo que o resultado operacional (ganhos versus gastos correntes, ou seja, sem jogadores) é negativo em cerca de 16 M€. A este ritmo, o Sporting gerará um resultado operacional negativo nunca inferior a 25 M€, obrigando à venda de jogadores para cobrir este buraco. A este deficit, temos de acrescentar a diferença entre contas correntes a receber (36 M€) e passivos a fornecedores que neste momento ascende a 50 M€. Se recebermos tudo o que temos junto dos nossos credores ficamos, ainda, com um buraco de 14 M€. Já são 40 M€ de diferença, pelo que a venda de Coates e Acuña, por exemplo, não servirá para reinvestir no plantel. A estes dados financeiros, temos de acrescentar um fluxo de caixa (a diferença entre o dinheiro que recebemos e o dinheiro que sai para liquidação de compromissos) negativo - sem jogadores - neste semestre em cerca de 22 M€. Desde os episódios de Alcochete o Sporting já fez mais de 170 M€ em vendas de jogadores e já adiantou de receitas futuras cerca de 70 M€, num total de 240 M€ para fazer face a passivos e suportar o investimento sem critério no futebol profissional. O resultado disto tudo é um plantel muito mais fraco e desvalorizado, uma situação financeira crítica e um futuro cada vez mais sombrio. Sem Liga dos Campeões em 2021, a aposta em Rubem Amorim e no reforço do plantel será feita à custa da antecipação de receitas futuras. Em suma, é uma loucura sem critério da mesma administração que vendeu ao desbarato Bas Dost por não ter dinheiro para o seu salário. Frederico Varandas afirma que nada mexe no orçamento do futebol para 2020/21 - o que é verdade pois nessa rubrica apenas caberá o salário de Rúben Amorim - omitindo a todos os sportinguistas o verdadeiro impacto financeiro desta operação. Pior que tudo, as capas de jornais já estão inundadas de promessas de unhas e contratações, aumentando a pressão e expectativas dos adeptos, uma jogada perigosa que pode ditar o fim desta administração.