E-toupeira: alvos no Sporting abordam pesquisas pessoais

E-toupeira: alvos no Sporting abordam pesquisas pessoais
Vítor Rodrigues

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Audiência incidiu ainda nos convites dados pelas águias, com Paulo Gonçalves a mostrar as diferenças com exemplos físicos

Lista de testemunhas chamadas esta quarta-feira ao Campus da Justiça incluiu funcionários com ligação direta ao Sporting, um deles com passagem anterior pelo Benfica, outros dois alvo de pesquisas e divulgação pública da dados pessoais proveniente da base de dados da Segurança Social e ainda do sistema judicial, sendo estes crimes imputados ao funcionário judicial José Augusto Silva e a Paulo Gonçalves, assessor jurídico da SAD encarnada à data dos factos.

Rui Pedro Pereira, ex-diretor da segurança do Benfica que desempenha as mesmas funções no Sporting desde 2019, foi chamado para explicar como se processava o acesso às diversas zonas do Estádio da Luz aos portadores de bilhetes ou convites, sobretudo na entrada em zonas de "lounge", tendo este antigo funcionário das águias referido que era necessário um convite adicional para acesso às zonas especiais, que era trocado por uma pulseira referente a cada local. Também para o parque de estacionamento era necessário um título e, depois de explicar que nos pisos inferiores era possível circular em toda a volta, sublinhou que "é comum os adeptos aproximarem-se da zona reservada às viaturas dos jogadores para pedirem autógrafos".

A respeito da diferença entre convites e bilhetes oferecidos, e perante as dúvidas da juíza Ana Paula Conceição, os advogados de Paulo Gonçalves, presente na sala, mostraram os ingressos cedidos, momentos antes, pelo arguido, como forma de se perceber que o convite não tem impresso o preço nem pode ser vendido.

A audiência continuou em tonalidades verde e brancas, quando foi chamado a testemunhar Hernâni Fernandes. Este antigo árbitro da primeira categoria, atualmente no desemprego, trabalhou para o Sporting entre 2017 e 2020 como "consultor de arbitragem e administrativo". A sua chamada refere-se à divulgação dos seus dados pessoais relativos à Segurança Social e ligação à entidade patronal leonina, bem como de um acórdão de uma sentença em que foi condenado por violência doméstica e que foi encontrado no gabinete de Paulo Gonçalves durante as buscas da Polícia Judiciária.

Hernâni Fernandes destacou que viu este processo divulgado nas redes sociais e blogues - identificou o "De olho da arbitragem" como um dos que fizeram essa divulgação - tendo assim "deixado a esfera privada e passado para a pública" e sendo, por isso, "confrontado por muita gente". Ao mesmo tempo, e perante as perguntas da juíza, explicou o âmbito das suas competências no Sporting, "em torno da equipa de futebol, análise dos lances a cada jogo e receção de delegados e equipas de arbitragem".

Seguiu-se Luís Francisco Fernandes, antigo delegado da Liga de clube, que desempenhou essas funções entre 2012 e 2017 até ser "convidado pelo Sporting para colaborar com a equipa B na organização de jogos", tarefa que desenvolvia "ser ser remunerado". Também os seus dados pessoais foram, segundo os autos, alvo de pesquisa, desconhecendo esta testemunha "o porquê de ter sido feita".