Uma revelação no Boavista que se inspira em Danilo e não vê os pais há quatro anos

Uma revelação no Boavista que se inspira em Danilo e não vê os pais há quatro anos
Ana Luísa Magalhães

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Em conversa com O JOGO, o médio ganês Ackah revela que o selecionador o vai observar e encara isso com a mesma serenidade e confiança que o trouxeram aqui: "Conheço-me, sei o que sou capaz de fazer."

A conversa com O JOGO estava marcada para as 12h45 e a pontualidade não falhou. Descontraído, de t-shirt e calções, aproximou-se sorridente e apresentou-se: "Olá! Como se chama? Eu sou o Ackah." Há um ano, o médio de 20 anos jogava na equipa B do Boavista, hoje deixa os adeptos rendidos, catapultado por uma estreia a titular, frente ao Sporting, que terminou mais cedo do que queria. Lito Vidigal dissera que a ansiedade potenciou as dores musculares. "Corri muito no meio-campo e comecei a sentir cãibras. Não podia mais, era o primeiro jogo. É trabalhar mais para isso deixar de acontecer, mas não estava nervoso", disse entre risadas.

Com a infância e adolescência entre o Gana - onde nasceu -, Costa do Marfim e Itália, foi no Boavista que Yaw Ackah encontrou o que mais queria. "É um grande clube e uma casa para mim, estou muito feliz e grato ao Boavista", explica Ackah, com as mãos no peito e os braços abertos para todos os funcionários do clube que com ele se cruzaram durante a entrevista. Chamaram-lhe "meu menino" e é uma das maiores esperanças do clube, cuja real dimensão o surpreendeu. Quando lhe perguntámos se sentia essa responsabilidade, encontrámos um dos limites no português que Ackah estuda desde maio. Mas quando percebeu, a resposta foi perentória: a humildade não afeta a autoconfiança. "Nada. Quando entro em campo digo sempre "tu vais ganhar". Sempre soube que se trabalhasse bem, poderia jogar na equipa principal, por isso, não fiquei surpreendido por já ter jogado na época passada."

Quando enveredámos pelo "futebolês", ficou mais fácil. "Trabalho muito e sou bom na marcação. Gosto de recuperar bolas e sinto-me bem a transportar jogo", descreve-se o médio, que alimenta a esperança de convencer o selecionador do Gana, James Appiah. "No Gana, dizem-me que o treinador vai observar os meus jogos e acredito que posso chegar à seleção", conclui.

Quatro referências e um irmão

Ackah não vê os pais há quatro anos e tem em Idris um pilar. Danilo e William entre grupo restrito

O significado de "casa" que Ackah dá ao Boavista ganha outra dimensão quando se percebe que o jogador vive sozinho no Porto. "A minha família está no Gana e na Costa de Marfim. Há quatro anos que não vejo os meus pais. Mas falo com eles todos os dias e eles estão muito contentes", explica o médio, que ainda assim garante que "não é difícil" estar sozinho. Na verdade, até se contenta facilmente. "O que gosto de fazer nos tempos livres? Dormir [risos]!"

Parte deste conforto dirá respeito a Idris. O capitão, 34 anos, ainda não jogou nesta época, mas tem sido útil de outras formas. "É muito importante, fala imenso comigo todos os dias. Amigo? Não, ele é como um irmão para mim. "Ackah faz isto, Ackah faz aquilo, não faças isto"", conta o ganês, que parece ter bebido da ambição do companheiro, que também numa conversa recente com O JOGO dissera que queria títulos: "No Boavista é ganhar, só ganhar, não perder um único jogo."

"Danilo, William Carvalho, Essien e Yaya Touré" são as referências que Ackah indica imediatamente, com a mesma convicção numa boa época do Boavista: "Temos um bom coletivo. A continuar assim, as coisas vão melhorar, o Boavista vai subir."