Pinto da Costa: "Paulo Fonseca entrou em parafuso com os lenços brancos"

Pinto da Costa: "Paulo Fonseca entrou em parafuso com os lenços brancos"
Bruno Filipe Monteiro

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Pinto da Costa recordou apostas de 2014 para o banco do FC Porto, em mais um episódio do programa "Ironias do Destino", do Porto Canal.

Trocas de treinadores: "Foram decisões muito difíceis, porque depois do sucesso do André Villas-Boas e do seu adjunto [Vítor Pereira], que depois tomou o seu lugar e que venceu o campeonato, era complicado escolher o treinador. Optei pelo Paulo Fonseca, porque acreditava muito nas suas qualidades, na sua potencialidade como treinador e ele aceitou de muito bom grado. Mas os resultados não apareceram logo e ele não caiu no goto do público. Um dia, no final de um jogo, viu uns lenços brancos e ficou muito impressionado. Chegou ao pé de mim e disse que se ia embora. Eu até lhe disse: "ó mister, se o problema são lenços brancos, nós metemos azuis". Mas ele entrou ali em parafuso com os lenços brancos e os resultados."

Pressão de um grande grande: "Era a pressão de um clube grande. Não estava preparado para ela e não aguentou, por mais força que lhe tivesse dado. Foi-se embora, contra a minha vontade, e o futuro veio a provar que tinha razão: que ele é um grande treinador. Tem uma potencialidade enorme e dialogava bem com os jogadores, só que ele ficou muito impressionado com a contestação aos primeiros resultados menos bons que teve e começou a insistir que era melhor ir embora, que não queria que eu tivesse problemas. E eu dizia-lhe: "eu nunca tenho problemas. Problema é colocar a equipa a jogar e você tem capacidade". Mas não o consegui convencer. Chegou a um ponto em que ele criou condições que não lhe permitiam continuar, os jogadores aperceberam-se da vontade dele de sair e que não estava a sentir-se com força para pegar no grupo. Mas foi contra a minha vontade, porque tinha a certeza de que ele iria triunfar. E a prova disso é que ele foi para o Shakhtar, ganhou campeonatos, foi para a Roma, onde esteve na Champions, mostrando qualidade, e de certeza que continuará ao mais alto nível como treinador, porque era um excelente treinador. A sua saída criou um novo problema, porque na altura não havia treinadores disponíveis."

Luís Castro: "Avançou o Luís Castro, que é um treinador competente, mas de outro estilo, que tinha estado com a equipa B e, inclusive, tinha ganho o campeonato [II Liga]. Mas não era definitivo, porque ele sentia que não tinha a experiência de estar à frente de um grande clube. Hoje é diferente, porque depois disso já passou pelo V. Guimarães, já esteve com sucesso no estrangeiro e hoje já estará preparadíssimo para pegar num grande clube. Mas naquela altura foi visto pelos próprios jogadores, que não colocavam em causa os seus conhecimentos, como um treinador da equipa B, o que é negativo, embora normalmente isso aconteça, como se viu este ano noutros clubes. O treinador da B é visto como uma solução precária."

Lopetegui: "Depois da experiência mal sucedida em termos de resultados, não de falta de capacidade, porque eles [Paulo Fonseca e Luís Castro] já demonstraram que tinha razão, era necessário incutir mais entusiasmo e disciplina. E as informações que tinha de Lopetegui era de que era um indivíduo disciplinador, mas também arrojado e que era capaz de fazer um bom trabalho. E formámos uma boa equipa, porque vieram excelentes jogadores: veio o Óliver, o Casimiro... uma série de bons jogadores. E a equipa jogava bem. Teve alguns percalços pelo caminho, mas inicialmente Lopetegui deu-nos muitas esperanças. Depois, com o passar do tempo e não aparecendo resultados, os próprios jogadores começam a não confiar tanto e acabou por, mais tarde, interromper o seu trabalho. Agora, a prova de que não estava enganado sobre a sua qualidade, é ver o percurso dele. Depois de sair do FC Porto, foi treinador da seleção de Espanha, do Real Madrid e atualmente é treinador do Sevilha. Parece-me que seriam muitos a apostar errado, se ele não tivesse grandes qualidades. E no Sevilha montou uma grande equipa. Aqui, infelizmente, não resultou no sentido de alcançar vitórias e o futebol vive de vitórias. Os clubes vivem dos troféus e ele compreendeu que a situação não era boa e foi embora. Mas mantém boas relações com o clube. Ainda há pouco, em Sevilha, apareceu a acompanhar-nos, quando fomos jogar com o Chelsea e segue o seu destino. Nós seguimos o nosso, felizmente com vitórias de treinadores que lhe seguiram e ele há de seguir a vida dele em grandes clubes, porque é um treinador de muito boa qualidade."

Rúben Neves recorde de idade e a marcar: "É uma coisa engraçada, porque ninguém dava valor ao Rúben Neves. E na primeira conversa que tive com Lopetegui, estávamos a falar de jogadores do plantel, o que é que ele entendia que era necessário. Ele queria um extremo rápido, veio o Tello, que ainda joga na primeira divisão de Espanha. E depois disse-me que o FC Porto tinha um miúdo de 16 anos que ia fazer dele jogador para a equipa principal. Eu perguntei-lhe o nome e ele disse-me Rúben Neves. Sinceramente, não conhecia. Perguntei logo a várias pessoas e diziam que era um miúdo, mas ninguém sabia. De onde é que ele o conhecia? Ele foi treinador da seleção júnior de Espanha, que tinha sido campeão do mundo. Portanto, não era um indivíduo sem currículo; tinha sido campeão do mundo. Ele disse-me que tinha visto em Portugal um miúdo, Rúben Neves, que tinha perguntado de que clube era e que lhe tinham dito que era do FC Porto. Então, disse que o queria ver nos seniores. E mal chegou aos treinos, disse que ia lançar o miúdo sem medo e lançou. Foi o mais jovem, com 17 anos, a marcar. Marcou o primeiro golo do campeonato, contra o Marítimo."