Claques Juventude Leonina e Directivo oficialmente ilegalizadas

Claques Juventude Leonina e Directivo oficialmente ilegalizadas
Rafael Toucedo | Rui Miguel Gomes

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Entidade responsável deu provimento à solicitação do Sporting para suspender as claques com as quais está em conflito

A solicitação do Sporting à APCVD (Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto) para suspender/anular o registo da Associação Juventude Leonina e Directivo Ultras XXI, dois dos seus Grupos Organizados de Adeptos (GOA), efetuada no dia 29 de outubro - informação confirmada por aquela instituição ao jornal "Público" no dia seguinte -, já teve provimento com a notificação, ontem, às duas claques, que já estão assim oficialmente ilegalizadas, deixando de estar registadas como GOA.

O longo conflito entre a Direção de Frederico Varandas e as claques, que o presidente dos leões acusa de não prestarem o correspondente apoio obrigatório às equipas e jogadores do clube e de terem comportamentos que levaram a uma escalada de agressividade e violência, teve como evento desencadeador da reação firme, unilateral e decisiva, os incidentes que ocorreram no Pavilhão João Rocha no dia 19 de outubro (ver cronologia abaixo).

O Sporting já tinha rescindido, entretanto, o protocolo com as duas claques, e agora, ao tornar-se oficial, está mesmo proibido de lhes prestar apoio técnico, financeiro e material.

"A decisão do presidente do Sporting traduz-se numa reprovação de comportamentos negativos", disse Vítor Pataco, presidente do IPDJ (ao qual o APCVD está vinculado), ao jornal "Público" de dia 31 de outubro. Já o presidente leonino, na última sexta-feira, falou em "acabar com o conceito de uma guarda pretoriana da Direção, paga muitas vezes para fazer o seu trabalho sujo".

"Não podemos vacilar, por mais que isso implique risco, desgaste e confronto", concluiu Frederico Varandas. Por resolver está ainda o abandono das suas sedes, após o Sporting ter dado ordem de despejo no dia 25 de outubro.

Entre os efeitos da ilegalização das claques pelo APCVD, alguns deles já aplicados pelo clube após a resolução dos protocolos, está o facto de o seu material vir a ser barrado fora de casa, como já sucede em Alvalade (em Tondela exibiram faixas).

EFEITOS PRÁTICOS

Registos dos filiados já não são enviados
O Sporting já não tem de enviar às entidades competentes o registo dos filiados das claques ilegalizadas, nem comunicar às forças de segurança os pormenores sobre as suas deslocações e estas passam a ser grupos organizados de adeptos sem privilégios.

Sem acesso a espaço exclusivo na bancada
Claques deixam de ter espaço reservado na bancada e têm de adquirir bilhetes como sócios normais. Com a resolução do protocolo, o clube já tinha cancelado os apoios financeiros, descontos em bilhetes, liberdade para coreografias e solicitado a saída dos espaços concedidos para armazenamento de materiais, onde se concentram antes dos jogos.

Proibição vai para lá do José Alvalade
À proibição de entrada de material (adereços como tambores, megafones ou tarjas/faixas com dimensões superiores a um metro de largura por um metro de comprimento) que o Sporting já tinha imposto em "casa" (estádio e pavilhão), segue-se a proibição nos restantes recintos (requer a aprovação conjunta do promotor do evento, das forças de segurança e dos serviços de emergência).

Policiamento pode vir a ser reduzido
O policiamento da bancada onde se situavam as duas claques pode ser reduzido, legalmente, embora as entidades competentes possam deliberar de forma diferente por questões de segurança, dado que continuam a agrupar-se e a ocupar os mesmos espaços.

CRONOLOGIA

19 de outubro
Incidente no Pavilhão João Rocha que desencadeia reação de força do Sporting. Bancada central foi invadida pelas claques e o presidente Frederico Varandas insultado, precisando de escolta policial para sair. Fora do recinto, vidro do carro de vogal da Direção foi partido.

20 de outubro
Sporting anuncia a resolução do protocolo com dois GOA (Grupos Organizados de Adeptos), a Juventude Leonina e o Directivo Ultras XXI.

25 de outubro
Leões dão ordem de despejo às duas claques suspensas, concedendo cinco dias para o efeito.

29 de outubro
Sporting solicita legalmente à APCVD (Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto) a suspensão do registo dos dois citados GOA, com o objetivo de ter efeitos práticos a partir do dia seguinte.

11 de novembro
As duas claques recebem a notificação da APCVD de que estão suspensas e ilegalizadas.