"Tinha um colchão e dormia no chão. Apanhava dois autocarros para treinar"

"Tinha um colchão e dormia no chão. Apanhava dois autocarros para treinar"

Pedro Silva cresceu no Sporting e teve apenas uma experiência dramática no estrangeiro, antes de se fixar em Vizela, onde festejou subida, permanência e ganhou a carreira de que esteve quase a desistir.

Depois de ter feito toda a formação no Sporting e de concluir que era "muito importante sair" e crescer para lá do horizonte da equipa B, Pedro Silva rumou a Tondela, em 18/19, e ali sentiu-se "verdadeiramente inserido" num projeto de primeira, embora na sombra de Cláudio Ramos, titularíssimo da baliza, cuja saída se desenhava no horizonte, mas só se verificaria mais tarde.

"Desiludido" pela iminência de uma época no banco - o companheiro e amigo deu-lhe razão, foi indiscutível até ao fim do contrato o conduzir ao FC Porto -, acabou por desiludir também o novo treinador, Natxo González. "Naturalmente, não ficou contente com o meu descontentamento", assume, e em janeiro decidiu sair, "experimentar algo novo." O Køge, da Dinamarca, surgiu no horizonte e Pedro Silva arriscou. "Acabou por ser absolutamente horrível! Foi mesmo muito, muito duro. A realidade é que, se não tivesse aparecido o Vizela, havia uma probabilidade gigante de ter desistido de jogar futebol", conta: "Não tinha sequer cama para dormir. Tinha um colchão e dormia no chão. Tinha de apanhar dois autocarros para treinar e nem tinha passe: tínhamos de andar lá a fugir aos picas. Se não fossem os outros estrangeiros que estiveram lá comigo a ajudar-me..." Ainda assim, consegue recordar esse tempo numa perspetiva positiva. "O clube tinha e tem potencial. Não estava era preparado para receber estrangeiros, na altura. Deu um passo maior do que a perna. Acabou por ser uma experiência infeliz, mas aprendi imenso. Tive de dar à perna", explica: "Foi na altura em que apareceu a covid-19. Em Portugal, tudo fechou, os campeonatos pararam, e lá as coisas continuaram abertas, tive a oportunidade de continuar a jogar futebol e a viver uma vida normal. Por esse lado, foi positivo."

Depois, surgiu o Vizela, acabado de subir à Liga SABSEG e "foi uma última oportunidade": "Pegaram-me, literalmente, do chão, e vou ficar eternamente grato ao Vizela e às pessoas daqui que me foram buscar. Foi praticamente uma salvação."

Não perca a restante entrevista a Pedro Silva: