Liga Revelação: números não enganam e preferência é pelos portugueses

Liga Revelação: números não enganam e preferência é pelos portugueses
Filipa Mesquita

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Os números não enganam, apesar de todas as equipas terem mais jogadores portugueses entre os utilizados (181), a verdade é que ainda recorrem ao estrangeiro para complementar o plantel (57).

Tal como o próprio nome diz, a Liga Revelação serve para descobrir talentos e para contribuir para o crescimento de vários atletas. Muitos chegam a esta prova vindos dos juniores e serve para ganharem competitividade e ritmo de jogo para atingirem outros patamares.

Com o campeonato ainda parado, O JOGO fez uma retrospetiva da aposta das equipas na escolha da nacionalidade dos jogadores. Com base numa análise dos 17 jogadores mais utilizados das 14 equipas em prova, verifica-se que apesar de haver uma aposta mais consistente em jogadores de nacionalidade portuguesa (181), há também uma procura em jogadores de outra nacionalidade (57) para complementar cada plantel. Neste lote de jogadores estrangeiros, destaque para o Brasil, que conta com 24 atletas entre os mais utilizados, sendo o segundo país, atrás de Portugal, mais representado.

As restantes nacionalidades - tirando os jogadores portugueses e brasileiros -, dividem-se pelos vários continentes: África (16), Europa (9), América (4), Ásia (3) e Oceânia (1). Tendo assim esta escolha um peso nas respetivas equipas e até mesmo nos resultados destas. Das 14 equipas em competição, apenas a Académica tem 17 jogadores portugueses nos mais utilizados, conseguindo assim diferenciar-se. Seguem-se Rio Ave e Belenenses, com 16 portugueses e apenas um estrangeiro. Logo a seguir aparecem o Benfica e Cova da Piedade (15), o Braga e Sporting (14) e o Boavista, Leixões e Vitória de Guimarães (14). Sendo estas as equipas que apostam mais em jogadores portugueses. As formações que revelam uma aposta menos notória, mas ainda assim maioritária, são: o Famalicão e Marítimo (10) e ainda o Estoril e Portimonense (9). O conjunto algarvio destaca-se ainda por ser a equipa que tem mais jogadores brasileiros. Nos 17 atletas mais utilizados, nove são portugueses, mas os restantes oito são todos de nacionalidade brasileira. O que eleva aqui a necessidade que a equipa teve de recorrer ao estrangeiro. A par do Estoril que apresenta os mesmos números, à exceção da nacionalidade que é mais diversificada.

No entanto, e tendo em consideração o regulamento da Federação Portuguesa de Futebol, todas as equipas cumprem com as regras. Há uma alínea que, apesar de não limitar o número de estrangeiros, obriga os clubes a terem o limite máximo de sete jogadores não formados localmente na FPF na ficha de jogo. Esta regra pode até ser um passo importante para a valorização dos jogadores portugueses e para forçar de certa forma os clubes a encontrarem e valorizarem os talentos que existem em Portugal, sem ter de recorrer necessariamente ao estrangeiro.

Depois da paragem de 15 dias, a Liga Revelação está de volta este fim de semana, com seis jogos a realizarem-se no sábado, com V. Guimarães (último da Zona Norte) e Estoril (líder no Sul), a ficarem de folga.