"Houve interesse de outras equipas, mas não me motivaram o suficiente"

"Houve interesse de outras equipas, mas não me motivaram o suficiente"
João Maia

Nuno Manta rejeita o rótulo de técnico "defensivo" e lembra que o importante é "ganhar", porque as vitórias morais "não dão pontos". Emblema de Torres Vedras é o "maior" do Oeste e o projeto entusiasma-o.

Nuno Manta, de 43 anos, subiu a treinador principal em 2016/17, e daí para a frente fez sempre a carreira na Liga Bwin. No entanto, estava sem clube desde que deixara o Aves, no final de 2019/20, por falta de um convite que o seduzisse verdadeiramente e também porque queria "refletir". O Torreense convenceu-o e as metas são altas.

O que o levou a aceitar o Torreense depois de um ano sem trabalhar?
-O projeto e o objetivo que me apresentaram agradou-me bastante. É um desafio grande, e eu gosto destes desafios. Houve outros interesses no passado de outras equipas nacionais, mas, na altura, não me motivaram o suficiente para aceitar. Foi uma pausa em que, por um lado, não apareceu o convite certo e ao mesmo tempo, com o início da pandemia, aproveitei para refletir sobre os problemas do passado e melhorar o futuro profissional.

Vê-se como um nome sonante na Liga 3?
-Não. Vejo-me como um treinador normal. Vou mostrar as minhas competências, como os restantes.

Não sentiu saudades do balneário, enquanto esteve parado?
-Nos primeiros meses, não. A partir do momento em que o público começou a voltar aos estádios e eu também passei a ver jogos da Liga 3, Liga SABSEG e Liga Bwin, comecei a sentir saudades do treino, do exercício, a sentir falta do jogo e de ganhar.

Encontrou no Torreense uma equipa talhada para tentar a subida?
-Encontrei uma equipa que está a reunir as condições para estar nessa luta. Temos de fazer ajustes e melhorar todos os dias, em todos os departamentos, para ser mais fácil atingir o objetivo.

Orientou equipas cujos objetivos passavam, essencialmente, por lutar para não descer. Em Torres Vedras tentará contrariar o rótulo de treinador defensivo, que acabou por adquirir?
-[pausa] Em cada caso temos de ver a equipa e os objetivos da mesma para o campeonato. Aqui, queremos ir à fase de subida e depois lutarmos pela promoção. É necessário encarar mos os jogos de maneira diferente, mas nunca posso descurar a defesa. Se não sofrermos, estamos mais perto de ganhar. Os rótulos que uma pessoa ganha têm a ver com os resultados, porque se formos a analisar o treino, se calhar trabalha-se muito a parte ofensiva. Este é um desafio diferente; aqui, é para tentar a subida e não para garantir a permanência. Como adjunto, subi duas vezes no Feirense. O elemento chave é ganhar, jogando bem ou mal. Vitórias morais não dão pontos.

A aposta a longo prazo do Torreense vai além da promoção à Liga SABSEG?
-O Torreense quer dar passos seguros. Primeiro, queremos chegar à fase de subida e depois lutar pela promoção. O clube tem uma equipa de futsal na Liga Placard, fez uma forte aposta no feminino e o futuro é um passo de cada vez, de maneira sustentada.

Está num clube histórico. Sente que é um gigante adormecido?
-Estou aqui há um mês e sinto que o Torreense é o clube com mais adeptos na zona do Oeste. As pessoas sabem o que querem, mas com os pés assentes no chão.

O plantel tem vários jogadores com experiência de I e II Ligas, como o Edinho, que já tinha orientado no Feirense, e o Mateus. É um fator que será importante na hora das decisões?
-É importante ter jogadores com esta competência.

Do terceiro classificado ao sétimo distam dois pontos. É difícil a esta altura dizer quem serão os maiores candidatos a lutar pela subida?
-O mês de janeiro pode ditar muita coisa. Nas próximas quatro jornadas haverá confrontos diretos entre algumas dessas equipas e depois disso a lutar irá ficar mais reduzida.

Formato precisa de melhorias e a Federação já ouviu os clubes
A luta pela subida à Liga SABSEG tem duas etapas: primeiro é necessário acabar a fase regular num dos quatro lugares da frente e depois ganhar a fase de promoção. Nuno Manta reconhece que não haverá grande margem de erro e o formato pode ser melhorado. "Temos de jogar com isso. Foi-nos dito pelo José Couceiro (diretor técnico da FPF) que os modelos serão alterados, mas este ano temos de jogar assim", adiantou. Sobre a prova, só tem elogios. "A intensidade e a paixão é igual à Liga Bwin ou Liga SABSEG", refere. Para o treinador, o plantel do Torreense vai precisar de alguns retoques. "Já falei com a administração e gostaria de reforçar a equipa com dois atletas. Posições? Prefiro não as revelar, por agora", concluiu o técnico, que assumiu o conjunto do Oeste no final de novembro.