Yago Cariello destaca-se no U. Santarém: "O meu ponto forte já vem do berço"

Yago Cariello destaca-se no U. Santarém: "O meu ponto forte já vem do berço"
André Bastos

Em 15 jogos pelo U. Santarém, o canhoto Yago Cariello que quer brilhar na Europa fez oito golos e uma assistência

Yago Cariello Ribeiro saiu do anonimato com quatro golos apontados no triunfo do União Santarém sobre o V. Setúbal (4-1). O ponta-de-lança viveu uma segunda-feira agitada e só teve tempo de conversar com O JOGO quando se preparava para jantar. Tendo começado a carreira de jogador profissional em 2017, no América, o brasileiro de 22 anos, natural do Rio de Janeiro, transferiu-se no ano seguinte para o Vasco da Gama e na temporada passada aceitou o convite do Condeixa para prosseguir a carreira em Portugal. Esta época, mudou-se para o União Santarém, onde deseja brilhar para cumprir o sonho de chegar à Liga Bwin.

Esta foi a primeira vez que fez um póquer na carreira?
-Não. No primeiro jogo que fiz pela equipa B do União de Santarém, à qual baixei para ganhar ritmo competitivo, marquei seis golos contra o Benfica do Ribatejo (12-1). Mas é lógico que neste jogo teve um maior impacto.

O que lhe disseram depois deste jogo, tanto os colegas como o treinador?
-Ficaram felizes como eu. Veem a forma como jogo, como treino e como me dedico e isto foi fruto do trabalho.

O telefone tocou muitas vezes? Qual foi a mensagem mais curiosa?
-Tenho sempre amigos que me acompanham no Brasil e aqui, mas recebi sobretudo mensagens em vez de chamadas. A mais curiosa foi a da minha mãe [Jaqueline]. Ficou muito orgulhosa, deu-me os parabéns e disse que sou um vencedor e mereço tudo o que está a acontecer neste momento. Sou um guerreiro, pois não é qualquer um que sai do seu país para ir viver sozinho. Espero que a partir de agora olhem para mim de forma diferente, mas não só por o que fiz neste jogo.

Numa equipa modesta como o União Santarém, torna-se mais difícil marcar quatro golos num só jogo?
-Óbvio. Uma equipa maior massacra mais vezes o adversário, o que torna mais fácil marcar. Mas como estamos a crescer e a jogar bem, isso foi possível. Estamos a manter um ritmo bom. A equipa tem vindo a crescer bastante, a cada dia que passa. Nos treinos e nos jogos houve uma grande evolução em todos os sentidos.

Acha que a equipa melhorou com a entrada do treinador André David?
-A forma de jogar é diferente. A adaptação foi difícil, pois passámos a jogar com três centrais. Antes o sistema era 4x2x3x1 e agora é 3x5x2 ou 3x4x3. Mas o facto de ele exigir muito de nós a cada dia ajuda sempre. O amadurecimento e o compromisso de cada um também foi bastante importante neste período e é visível na entrega diária.

Quais são os objetivos do União de Santarém para esta época?
-É ir o mais longe possível, jogo a jogo, tentar chegar ao quarto lugar. Pelo trabalho que temos vindo a fazer, acredito que ainda estão para vir muitas coisas boas. Em termos pessoais, gostava de chegar à Liga Bwin e poder jogar uma Champions.

Como se avalia como avançado?
-O meu ponto forte já vem do berço. A vontade, a determinação que há dentro de mim, é impressionante, mesmo que não esteja bem tecnicamente o que não vai faltar é garra, vou estar sempre à procura de acertar. Sou forte na grande área, no jogo aéreo, a fazer de pivô, na finalização e na velocidade. Jogo com o pé esquerdo e contra o Vitória de Setúbal, provei que faço golos de várias formas: de cabeça, pé direito, esquerdo e também de penálti.