Rui Santos: "O meu espaço não estava a ser respeitado"

Rui Santos: "O meu espaço não estava a ser respeitado"
Rodrigo Cortez

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Sintra Football perdeu o treinador que conduziu a equipa a uma das maiores proezas da época no futebol português

Antigo adjunto de Fernando Santos, o treinador Rui Santos demitiu-se esta quinta-feira do comando técnico do Sintra Football, clube que tinha conduzido ao apuramento para os 16 avos de final da Taça de Portugal, após o sensacional afastamento do Vitória do Guimarães, num desempate por grandes penalidades após a igualdade a uma bola ao fim de 120 minutos. Em declarações a O JOGO, Rui Santos explica a decisão.

O que aconteceu para sair numa fase tão boa do clube?

O que aconteceu foi que um pseudo-investidor entrou para o clube e, de algum tempo a esta parte, tem revelado ideias completamente diferentes das minhas para a gestão desportiva do clube, com as quais eu não estou de acordo, tendo depois acontecido alguns episódios que me levaram a decidir que estava na altura de abandonar.

Mas essas divergências eram completamente inultrapassáveis?

Eu pauto a minha vida pelo caráter e pela dignidade. Respeito a função de cada um e quando começam a haver algumas ingerências no meu trabalho, eu não consigo suportar essa situação, porque eu respeito o espaço de cada um e o meu espaço não estava a ser respeitado.

Já não há volta a dar?

Não há, até porque eles já têm outra pessoa a dar os treinos. Segundo creio chama-se Jorge Nabais.

Mas depois deste grande trabalho que está a fazer, incluindo a eliminação do V. Guimarães, não foi estranho?

Posso dizer que a seguir ao triunfo sobre o V. Guimarães, recebi mais de 200 mensagens de pessoas a darem-me os parabéns. Hoje, também já recebi dezenas de mensagens de pessoas que estão incrédulas com o que aconteceu. Não dá para compreender. De um ponto de vista da credibilidade do clube, este momento é muito mau, porque o clube estava a ser falado só por boas razões e passado três dias começa a ser falado por razões que não são tão boas. E eu lamento.

Mas como foi possível?

Eu infelizmente não sou uma pessoa com muita sorte no futebol. Eu até diria que o que me aconteceu não acontece a mais ninguém. Depois de uma eliminatória daquelas levar com um filme destes...

Para tomar uma atitude tão radical é porque foi algo de muito grave ou não?

Sim, sim. E custou-me muito abandonar este projeto porque o compromisso e a relação entre todos eram fantásticos. Está ali um grupo de grandes homens, de grandes jogadores, de gente com muito caráter e demonstraram isso antes, durante e depois do jogo. E posso dizer que eles tentaram ficar com alguns elementos da minha equipa técnica, mas nenhum deles aceitou continuar.

Quem é o investidor por trás desta decisão?

Não quero ir por aí. Não vou estar a dar importância a pessoas que não merecem.

É estrangeiro?

Não, é português.