Portugal inicia defesa do título: o passado na Hungria e as dúvidas de Santos

Portugal inicia defesa do título: o passado na Hungria e as dúvidas de Santos
António Pires

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Portugal inicia a defesa do título, defrontando uma Hungria que bateu nas duas últimas visitas a Budapeste. Mas desde 2008 que a Seleção não começa com o pé direito.

Chegou o momento. É hoje às 17h00 portuguesas, mais uma em Budapeste, que Portugal inicia a sua participação no Euro"2020, o oitavo em que participa, sétima de forma consecutiva e, pela primeira vez, na condição de campeão em título. Integrada no Grupo F, aquele que é visto como o mais forte por incluir, além da equipa das Quinas e da Hungria, os dois últimos campeões mundiais: Alemanha em 2014 e França em 2018.

Também pelo facto de jogar depois em Munique com os germânicos e por fim com os franceses, novamente em Budapeste, todos esperam que Portugal arranque com uma vitória para não se colocar numa situação demasiado complicada para as duas últimas jornadas.

Contudo, a história, que vale o que vale, diz-nos que não têm sido fáceis as estreias em grandes competições. De facto, este século, só no Mundial"2006 e no Euro"2008, sempre com Scolari ao comando, a equipa nacional entrou a ganhar (ver quadro). Somou ainda quatro empates, nenhum deles impeditivo da qualificação para as fases seguintes dos Mundiais de 2010 e 2018, do Euro"2016 de boa memória e da Taça das Confederações de 2017. Já as derrotas nos campeonatos do Mundo de 2002 e 2014 foram prenúncio de desgraça, enquanto em 2004 não impediram Portugal de chegar à final ou, em 2012, de atingir as semifinais dos Europeus.

Pepe e André já decidiram

Para contrapor com este registo que não é brilhante, há um muito saboroso saldo diante dos magiares, com nove vitórias e quatro empates nos 13 confrontos anteriores. De resto, nos dois últimos jogos em Budapeste Portugal ganhou sempre e com golos de jogadores presentes no Europeu. Pepe faturou no apuramento do Mundial de 2010 e André Silva na caminhada para o Rússia"2018.

Quanto às duas equipas, a tentação de as comparar com as que se defrontaram e empataram 3-3 há cinco anos é um exercício sem sentido, tanta coisa mudou em ambas e ainda mais nos húngaros.

Portugal recebe de todos o favoritismo para esta noite, o qual de nada vale se não for demonstrado em campo. Claro está que há motivos de sobra para otimismo, desde logo o facto de Fernando Santos contar com alguns dos melhores jogadores do mundo que o demonstraram durante a época alinhando em clubes de topo europeu. De resto, segundo o site Transfermarkt, o valor de mercado do onze provável de Portugal é de 439 milhões de euros, enquanto magiar não ultrapassa os 48,4 M€. E são quatro os jogadores lusos que valem mais do que toda a equipa húngara, um deles, João Félix (80 M€) à partida no banco. Os outros mais valiosos são Bruno Fernandes (90), Rúben Dias (75) e Bernardo Silva (70).

Em termos comparativos, a Seleção Nacional possui também uma equipa mais experiente, apesar de ter vários jovens que hoje devem começar no banco. A média de idades dos onze prováveis tem uma diferença de 1,4 anos a mais para Portugal e quanto a internacionalizações são 62,3 em média contra 33,6 dos magiares.

As dúvidas de Santos

Com Rui Patrício certo na baliza, assim como a dupla de centrais Pepe e Rúben Dias, nas laterais Nélson Semedo beneficia da saída de Cancelo para jogar à direita - Dalot fez apenas um treino ontem -, enquanto Raphael Guerreiro parece ter alguma vantagem sobre Nuno Mendes na esquerda, apesar da excelente resposta que este último vem dando.

É no meio-campo e na dupla mais defensiva que a porca torce o rabo, tantas e boas são as opções. Ainda assim, até por rotinas passadas, Danilo e William poderão ser os eleitos. Mas até pelo facto do primeiro ter sido várias vezes testado a central, poderia surgir Rúben Neves no onze, como sucedeu no particular com Israel. No apoio a Cristiano Ronaldo, Bernardo Silva, Bruno Fernandes e Diogo Jota partem na pole position da titularidade para o Europeu.