"Confinamento? Estou apetrechado para treinar sem sair dos muros de casa"

"Confinamento? Estou apetrechado para treinar sem sair dos muros de casa"
Redação com Lusa

Tópicos

João Vieira assegura estar preparado para treinar em confinamento para Tóquio'2020.

O marchador João Vieira, do Sporting, assegurou hoje estar preparado para treinar para os Jogos Olímpicos Tóquio2020 em confinamento devido à covid-19.

Em Porto de Mós, no dia em que conquistou o sexto título nacional nos 35 quilómetros de marcha, João Vieira assumiu que, "dentro dos condicionalismos", a preparação para Tóquio "está a correr bem".

"Tenho andado a circular pelo país e por fora, em locais onde me sinta seguro. A covid-19 não ajuda ninguém e estou a proteger-me ao máximo", afirmou no final da prova, João Vieira, em declarações à Sporting TV, revelando ter condições para treinar num novo confinamento.

Antevendo um novo período de confinamento, devido ao aumento de casos de infeção pelo novo coronavírus, o marchador assumiu a concentração em Tóquio'2020: "Estou apetrechado para treinar sem sair dos muros de casa. Quero estar com o foco em Sapporo, onde vai ser a prova dos Jogos. Vou preparar-me ao máximo".

Em Porto de Mós, o atleta do Sporting cumpriu o objetivo de revalidar o título, mesmo não estando no melhor momento.

"Não estava em muito boas condições para fazer a prova e o circuito foi muito duro, com sobe e desce e o frio, que a partir do meio da prova, com o vento, nos deixou gelados. Mas estou contente com a minha prestação, foi melhor do que no ano passado", acrescentou.

Também nos 35 quilómetros, Vitória Oliveira, do Sporting de Braga, voltou a ganhar em Porto de Mós, mesmo com o frio e perturbações gástricas.

"Levaram-me a parar quatro vezes mas, mesmo assim, senti-me bem, tentei recuperar o máximo possível e consegui bater o meu recorde pessoal por dois minutos", explicou à agência Lusa.

Agora, o objetivo de Vitória Oliveira passa por tentar mínimos para os Mundiais de 2022: "Sinto-me muito bem hoje e leva-me a acreditar de que sou capaz. Sou uma atleta muito exigente comigo mesma e, por mais que o resultado seja agradável, fico sempre a pensar que consigo melhor".

Na estreia nos 50 quilómetros, Rui Coelho, do Centro de Atletismo de Seia, cruzou a meta exausto mas feliz com o título nacional alcançado.

"Foi muito duro, o percurso não é fácil, com um pouco de subida e de descida e depois o frio... Andei quase 50 quilómetros sozinho e foi uma corrida contra o tempo, que foi o meu principal adversário nesta competição", afirmou.

No final, faltaram-lhe "pernas", reconheceu Rui Coelho: "Tive um grande apoio de fora para suportar. Mas na parte final, as pernas... A cabeça já só ia para acabar e andei o que as pernas deixaram".

Conquistado o primeiro título na distância, o marchador de Seia defende que fica "em aberto a perspetiva de estar presente nos Jogos [Olímpicos]".

"Mas também há seleções nacionais em que quero estar presente, nomeadamente na Taça da Europa", salientou.

Na competição feminina de 50 quilómetros, em Porto de Mós voltou a marcar presença Sandra Silva, que marchou sozinha a distância mas, ao quarto título consecutivo, conseguiu um objetivo que perseguia há anos.

"Sabia que se tivesse um bocadinho de cabeça ia conseguir baixar as cinco horas e foi isso que tentei fazer: gerir na parte inicial e depois, no final, dar tudo o que tinha", referiu, após comprovar que a fórmula resultou, ao cruzar a meta com 04:56.49 horas.

Sandra Silva, 45 anos, competiu contra todas as opiniões - "toda a gente me dizia para não fazer este ano, porque fico sempre mal depois da prova" - mas "valeu a pena".

E até acredita que, não fosse "um bocadinho de medo de arriscar", podia ter até apontado para "o recorde do mundo".