Há uma máquina 3D para descobrir novos Usain Bolt: eis os detalhes

Há uma máquina 3D para descobrir novos Usain Bolt: eis os detalhes
Augusto Ferro

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Na Austrália e nos EUA o potencial de cada atleta já pode ser medido em scanners. Em 35 segundos sabe-se o que cada um irá valer, mas o teste, que também analisa picos de forma, custa 7500 dólares.

Há alguns anos, contava-se uma história irónica sobre a deteção de talentos da velocidade na Holanda e nos Estados Unidos: os europeu descobriam os fora de série através de uma enorme bateria de exames físicos, destacando-se entre eles a contagem das fibras rápidas; nos "States", diziam os treinadores que, perante tanta matéria-prima que lhes chegava às mãos, bastava colocar os jovens na linha de partida, dar o tiro e o melhor era o que chegasse primeiro!

Como os tempos mudaram, há agora métodos mais modernos e revolucionários. Por intermédio de um teste que custa 7500 dólares (6140 euros), asseguram cientistas desportivos das universidades do Sul da Austrália e do Dakota do Norte (EUA) que podem encontrar os novos Usain Bolt ou Ian Thorpe com facilidade, de forma rápida e nada invasiva: utilizando um scanner 3D que atesta o potencial de cada atleta.

"A digitalização 3D é menos invasiva do que os testes manuais e, por ser rápida, podem ser facilmente medidas grandes amostras de áreas e volumes da superfície corporal. Não há necessidade de contacto físico e não requer muita experiência. Ao contrário dos raios-X, não emite radiação potencialmente prejudicial", assegura o professor Grant Tomkinson, líder deste projeto, após analisar 49 atletas (30 mulheres e 19 homens) norte-americanos.

Segundo Tomkinson, que publicou os seus estudos no jornal oficial da universidade australiana, as vantagens são enormes. O exame pode ser feito através de vários scanners de 35 segundos, que efetuam milhões de medições com uma precisão de dois milímetros. Para isso, basta a referida câmara 3D, uma plataforma giratória e um software de medições.

Como é habitual, sempre que surgem inovações tecnológicas os paradigmas mudam e essas alterações implicam que haja áreas e indivíduos ultrapassados. Se este processo vingar, os caçadores de talentos podem mesmo ficar para trás e os sofisticados laboratórios de antropometria arriscam-se a perder clientela.
Mas os ganhos poderão ser muitos, e não só na deteção de um Bolt ou um Phelps. O teste permite fazer um diagnóstico correto do desporto mais talhado para o corpo de determinado adolescente. Problemas com potencial para destruir uma carreira mais tarde, como escolioses ou comprimentos diferentes de pernas, podem ser detetados precocemente. A monitorização das mudanças corporais de atleta revela se ele está no seu pico de forma e, assegura ainda o grupo do professor Grant Tomkinson, o seu scanner 3D pode ser um bom meio complementar de diagnóstico em questões de saúde.