Recordes de Bolt superam Kipchoge, mas é de outro atleta a maior proeza de sempre

Recordes de Bolt superam Kipchoge, mas é de outro atleta a maior proeza de sempre
Carlos Flórido

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Qual foi a melhor marca da história do atletismo? O recorde de Eliud Kipchoge na maratona é melhor do que os 9,58s de Usain Bolt nos 100 metros? Há tabelas matemáticas que o dizem e o melhor é... Jan Zelezny!

Jan Zelezny, checo que tem agora 52 anos e se sagrou tricampeão olímpico e mundial do lançamento do dardo, é, segundo as tabelas da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF), o autor da maior proeza de sempre da modalidade, quando a 25 de maio de 1996 atingiu os 98,48 metros. Sendo essa a melhor marca da história em termos de qualidade, mediaticamente não se compara aos recordes de Usain Bolt, nem ao que o queniano Eliud Kipchoge obteve no domingo na maratona e que, confirmam os matemáticos da modalidade, é dos melhores de sempre.

O tempo de 2h01m39s de Kipchoge vale 1316 pontos nas Tabelas IAAF, criadas em 1912 e atualizadas a cada três anos, para acompanharem sem falhas a evolução de cada disciplina. Aceites sem discussão dentro da modalidade, permitem comparar provas tão distintas como maratonas e saltos, só não recomendando paralelos entre homens e mulheres, "devido a diferenças biológicas óbvias" - a marca de Kipchoge seria equivalente a 2h12m07s na maratona feminina, quando o recorde de Paula Radcliffe é 2h15m25.

Além do lançamento de Zelezny, as melhores performances da história são, sem qualquer dúvida, de Usain Bolt, que correu por duas vezes os 100 metros e três vezes os 200 em tempos mais valiosos do que o do recorde da maratona, sendo este ainda superado pelo fenómeno que é Van Niekerk nos 400 metros.

Mas a real dimensão da proeza de Kipchoge surge quando se transporta uma marca que vale 1316 pontos para outras grandes distâncias. O recorde do queniano na maratona equivale a 57m08s na "meia" (menos 1m15s que o atual máximo) ou menos 12 segundos nos 10 mil metros, sendo notoriamente a melhor performance de sempre no fundo e meio fundo. Tão excecional que estudiosos como o sul-africano Ross Tucker já denuncia não se dever apenas ao homem: "A Nike diz que a sua sapatilha vale mais 4%, o que é marketing, mas o "New York Times" calculou essa vantagem em 1%. A sua bebida de hidratos de carbono diz que vale outros 1%. A ser verdade, ele não é o melhor, mas o que corre mais rápido devido à tecnologia."