Jogo à porta fechada valeu cartão branco a equipas de Oliveira de Azeméis

Jogo à porta fechada valeu cartão branco a equipas de Oliveira de Azeméis
Ana Catelas

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Cucujães e PARC pediram para jogar sem adeptos, a fim de evitar a repetição de confrontos

O pedido das duas equipas de futsal do concelho de Oliveira de Azeméis para realizarem um jogo de juniores à porta fechada (para evitar confrontos como os que aconteceram na semana anterior) foi noticiado por O JOGO como sendo algo insólito.

A AF Aveiro concordou ao ponto de ter mostrado um cartão branco às direções do Cucujães e da PARC.

"É o reconhecimento da AFA pela promoção do Fair-Play e prevenção da violência. Mostramos o Cartão Branco a todos os agentes desportivo que transmitam para fora situações de Fair-Play, solidariedade e verdade desportiva e, neste caso, prevenção da violência", explicou o vice-presidente do organismo, Ricardo Jorge Alves, que adiantou que esta é a segunda vez que a associação aveirense exibe o Cartão Branco e uma equipa diretiva.

O dirigente da associação confessou que foi com "muita satisfação" que a associação recebeu este pedido dos clubes, o que, para Ricardo Jorge Alves, "é uma demonstração que os clubes também têm maturidade suficiente para perceberem quando devem tomar uma atitude radical, no bom sentido, para preservar a beleza do desporto e, neste caso, para prevenir situações de violência".

CD Cucujães e PARC-Pindelo, dois emblemas do concelho de Oliveira de Azeméis, defrontaram-se no sábado, 2 de novembro, na jornada três do campeonato da I divisão distrital de Aveiro de futsal. A PARC venceu por 4-2, em Cucujães, mas o jogo ficou manchado pelas cenas de violência na bancada.

Este domingo as duas equipas voltaram a defrontar-se no mesmo local, mas no escalão de juniores, o que levou as direções a pedir para a jornada acontecer à porta fechada.

"Pretendemos dar aos grupos de trabalho condições para fazerem o que gostam sem estarem preocupados com o que se passa do lado de fora", explicou André Pinho, presidente da PARC, afirmando ainda que com esta decisão os clubes quiseram também "demarcar-se" do que aconteceu no final do jogo na semana passada.

"São atos que nada tiveram a ver com os clubes e com as estruturas dos clubes que se dão lindamente e que não se reveem minimamente no que aconteceu", acrescentou o dirigente pindelense, referindo que a medida teve por objetivo "prevenir qualquer tipo de situação menos boa que pudesse existir". "Estamos a apostar na prevenção e a mostrar que não vale tudo", concluiu André Pinho.

Do lado do Cucujães, Rafael Costa garantiu que o facto do jogo se realizar à porta fechada foi por questões de segurança.

"Não é que fosse acontecer alguma coisa, mas é só mesmo por precaução e se todos os clubes tivessem esta precaução se calhar não aconteciam tantas coisas que, às vezes, se ouve falar", afirmou o dirigente do CDC.

Apesar do jogo ser à porta fechada, os adeptos do CD Cucujães marcaram presença para manifestar o seu apoio à equipa de Renato Ferreira. Chegaram cerca de duas horas antes do apito inicial para aplaudir os jogadores à chegada ao pavilhão.

"Foram cenas lamentáveis nas bancadas após o final do jogo dos seniores e havia pouca polícia no pavilhão", recordou o jovem Guilherme Fonseca. Os adeptos revelaram-se compreensivos com a medida tomada, mas lamentaram que tenham sido os juniores a pagar a "fatura".

"Queríamos apoiar a equipa neste jogo importante", acrescentou o cucujanense, que deu voz a cerca de duas dezenas de adeptos que nem com a chuva que caiu toda a tarde se demoveram deste apoio à equipa até final do jogo... Mas do lado exterior do pavilhão."