"Segunda vaga pode destruir muitos clubes"

"Segunda vaga pode destruir muitos clubes"

Ângelo Lopes, acabado de chegar à presidência do Riba d"Ave, projeta 2020/21 com um corte na equipa principal e preocupa-se com um eventual novo surto de covid-19

A pandemia paralisou os clubes, mas estes não se rendem. O Riba d"Ave procura outros apoios com novo presidente, um empresário que também investe no emblema e que revela as suas opções.

O Riba d"Ave tem uma nova direção há duas semanas. À frente dela está Ângelo Lopes, empresário do setor metalúrgico, que encara a crise com apreensão, mas também com pragmatismo e, por isso, quando olha para "o orçamento de cerca de cem mil euros" e para "o futuro incerto", afirma: "Formámos um grupo de pessoas ligadas à gestão empresarial para ter uma noção fria dos números, para não cometermos loucuras."
Sem tempo a perder, o elenco presidencial começou por reunir com a autarquia de Famalicão, da qual surgiu a primeira boa notícia. "A câmara foi de uma enorme sensibilidade: percebeu que se cortasse os apoios, a situação seria mais grave e não o fez", revelou Ângelo Lopes, adiantando: "Esses valores são canalizados para a formação", uma área, com 140 praticantes, e preocupante para o dirigente que tem "receio que muitos miúdos deixem a modalidade."
Na equipa sénior, que terá novo treinador (Raul Meca), "o clube teve de cortar, apostando em jovens", sendo João Pedro (Valongo), Miguel Fortunato e Gustavo Pato (Benfica) os reforços já confirmados para uma época que só traz dúvidas: "Não sabemos quando começa o campeonato, se começa, que despesas fixas teremos, se vamos ter pessoas nos pavilhões, não sabemos que parceiros teremos e se vem uma segunda vaga, porque então pode destruir completamente muitos clubes."
Ângelo Lopes, que projeta obras no pavilhão (requalificação dos balneários e aumento de capacidade), com ajuda camarária, tenta "novos apoios, recorrendo à criatividade; por exemplo, naming para o pavilhão e clube, o que terá de passar por aprovação em Assembleia Geral." Enquanto se desdobra em contactos, a direção reuniu para decidir sobre os trabalhos da formação: "Estamos a ver se pomos a treinar um escalão por dia, desinfetando o pavilhão diariamente." Quanto à equipa sénior: "Normalmente, a pré-época começa em agosto, mas agora não sabemos."

A Europa e "a frieza dos números"

Tal como Turquel e Sanjoanense, o Riba d"Ave, clube com 400 sócios e representante de uma vila com menos de quatro mil habitantes, pretende abdicar da Taça WSE, prova europeia a que tem acesso por ser nono no campeonato. "Podemos estar a falar de 15/20 mil euros para participar nessa prova e isso não é possível. É a frieza dos números." Sobre possíveis ajudas, e no imediato, os clubes minhotos "estão a tentar uma reunião com a Associação de Patinagem do Minho". "A associação do Porto está a tomar já medidas interessantes, como redução de taxas de arbitragem, mas aqui nós não temos nada em concreto", concluiu Ângelo Lopes.