Petter Solberg tem o filho no Rali de Portugal e sofre mais "como pai do que como piloto"

Petter Solberg tem o filho no Rali de Portugal e sofre mais "como pai do que como piloto"
Redação com Lusa

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O antigo campeão mundial de ralis e ralicrosse, o norueguês Petter Solberg, que acompanha o filho Oliver Solberg (Hyundai i20) na 55.ª edição do Rali de Portugal, considerou este sábado que ser pai "é mais difícil do que piloto".

Em declarações à agência Lusa, o antigo piloto de Ford e Subaru, com quem venceu o campeonato do mundo de ralis de 2003, revelou que este ano recusou "quatro ofertas para projetos diferentes no desporto automóvel - Turismos, Extreme E, Dakar e Ralicrosse - para se dedicar a acompanhar a participação do filho Oliver Solberg no Mundial de Ralis, a quem vai dando alguns conselhos.

"Faço o melhor que posso, mas também tem de aprender por ele", frisou.

De facto, o Rali de Portugal tem sido de aprendizagem para o piloto de 21 anos, que, já hoje, bateu com a traseira do seu Hyundai i20 de WRC2 na segunda passagem por Vieira do Minho, quase arrancando uma das rodas traseiras, depois de este ano já ter conseguido um sexto lugar final na Suécia, com um Hyundai i20 Rally 1, que divide com o espanhol Dani Sordo esta época.

Por isso, Solberg, de 47 anos, que não chegou a fazer a prova lusa, pois entrou no Mundial em 2002, ano em que o Rali de Portugal deixou o calendário, admite que "ser pai é mais difícil do que ser piloto, sofre-se mais".

O norueguês deixou a carreira a tempo integral no final de 2008, depois de ter conquistado um Mundial de Ralis (2003) e dois de Ralicrosse (2014 e 2015), sendo o único piloto a juntar estes dois troféus em campeonatos da Federação Internacional do Automóvel (FIA).

Por isso, esta manhã, foi alvo de uma pequena homenagem pelo município de Montalegre, em Matosinhos, centro nevrálgico do Rali de Portugal, até porque foi Solberg o primeiro a vencer a prova transmontana quando passou a fazer parte do campeonato de ralicrosse.

"Hei-de voltar para conduzir lá, de certeza. A paixão daquelas pessoas pela pista de Montalegre é muito importante. É uma das melhores pistas do mundo e muito importante para mim, pois venci lá no primeiro ano", lembrou.

Apesar de nunca ter corrido em Portugal, lembra-se da atmosfera que se vive na prova lusa.

"Adorava correr em Portugal, mas agora está a chegar a nova geração. Talvez um dia mais tarde volte. A etapa de Fafe talvez seja a principal, com toda aquela gente e toda a atmosfera que se cria. Será uma das mais espetaculares de todo o campeonato. Também já vi as fotografias e é uma loucura. É o que ajuda a fazer o Rali de Portugal uma prova especial", defendeu o norueguês.

E quando vê o francês Sébastien Loeb, para quem perdeu os campeonatos de 2004 e 2005, a correr esta quarta jornada do campeonato, sente um friozinho no estômago e vontade de pegar no volante. Mas há valores mais altos que se levantam.

"Quando o vejo claro que me dá vontade de voltar. Este ano tive quatro ofertas para fazer quatro projetos diferentes no desporto motorizado - Turismos, Extreme E, Dakar e Ralicrosse -, mas, no final das contas, ele não tem um miúdo a correr nem a ter de gerir as coisas. Quando se tem um miúdo com todo o talento como tem o Oliver, é melhor que eu esteja a ajudá-lo o máximo possível", explicou, em jeito de resignação.

Por outro lado, Petter Solberg tem visto uma grande evolução no campeonato.

"Tem evoluído como o diabo, isso é certo. Mas o desporto está em constante evolução. Os construtores também têm inovado. Será interessante ver onde estaremos dentro de cinco anos", antevê.

Mas, se este ano na etapa portuguesa do Mundial de Ralicrosse, a 17 e 18 de setembro, em Montalegre, os carros da categoria principal já serão totalmente elétricos, Solberg não acredita que os ralis possam seguir o mesmo caminho.

"Não tenho nenhum problema com os carros elétricos, adequam-se muito bem ao ralicrosse, mas ainda gosto do som dos motores de combustão. Nos ralis? Não sei. A Fórmula 1 também ainda não é totalmente elétrica. Há diferentes tecnologias em desportos diferentes e os ralis são um desporto extremo. Não sei se será possível, mas nunca se sabe", concluiu.