Peugeot 208: a pequena revolução no maior mercado de Portugal

Peugeot 208: a pequena revolução no maior mercado de Portugal

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Carlos Flórido

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A nova arma do leão vai travar uma dura batalha num segmento B que em Portugal representa 44% do mercado

É impossível não reparar nele e logo aí o novo Peugeot 208 marca pontos, pois a estética é o mais decisivo dos fatores no segmento B. Tecnologicamente é muito evoluído, tanto nas ajudas à condução, que chegam à autonomia de nível dois, como no painel de instrumentos 3D. Por fim, apresenta-se com três motores a gasolina e um diesel, todos bem pensados para públicos distintos, e um elétrico que é a grande novidade e tem desempenhos surpreendentes, como comprovou O JOGO.

A nova arma do leão vai travar uma dura batalha num segmento B que em Portugal representa 44% do mercado, sempre liderado pelo Renault Clio, mas o segundo lugar ocupado pela geração anterior - 11,7%, contra os 15,3% do concorrente, em números deste ano - é animador e disso deu conta a Peugeot numa apresentação mundial que decorreu na Comporta. Foi entre Lisboa e as estradas alentejanas que os jornalistas perceberam a pequena revolução operada em Sochaux, pois o ineditismo do elétrico de 136 cavalos era apenas uma das novidades.

Mais longo (4,055 metros), largo (1,745 m) e baixo (1,430 m), o novo 208 é também mais leve do que o antecessor e tem uma frente a fazer lembrar o 508, com as três "garras" LED a destacarem-se, enquanto na traseira é a faixa negra a toda a largura da traseira, estreada no 3008, a dar-lhe um ar distinto. Cativante à primeira vista, também no interior surpreende, sobretudo nas versões mais bem equipadas (a partir do Allure), quando o famoso i-cockpit ganha um painel de instrumentos 3D, ou o sistema de condução semiautónoma se revela muito preciso. O único ponto negativo de um carro sedutor, sobretudo por ser proposto em cores vivas, será a dimensão da bagageira (309 litros), embora esteja bem dimensionada para malas de viagem.

208 1.2 PureTech (75cv) 16 700 a 17 600 euros

208 1.2 PureTech (100cv) 18 750 a 24 350

208 1.2 Puretech (130cv) 23 750 a 25 700

208 1.5 BlueHDI (100cv) 21 650 a 26 550

e-208 (136cv) 32 150 a 37 650

Entre os motores, o diesel de quatro cilindros de 1,5 litros cumpre a sua principal missão, ser económico (4,2 litros/100 km) sem comprometer o andamento, o mesmo se podendo dizer do menos potente dos três cilindros de 1,2 litros, pois os 75 cavalos permitem atingir os 170 km/h de forma honesta e os consumos rondam realmente os 5,5 litros. A versão de 100 cavalos será a mais equilibrada (188 km/h, 10,9s de 0 a 100 e consumo de 5,6 litros aos 100) e previsivelmente também a mais vendida, enquanto a de 130 cavalos (208 km/h, 8,7s de 0 a 100 e consumo difícil de manter nos 5,7 litros) é a divertida. Na Serra da Arrábida ficou evidente tanto a capacidade de aceleração e travagem como o excelente comportamento em curva.

A estrela da companhia, no entanto, era o e-208. Se a restante gama chegará a Portugal a 11 de novembro, o elétrico foi uma espécie de antestreia para jornalistas, pois apenas será comercializado no próximo ano. Mas foi um "filme" que valeu a pena ver. Embora os preços a partir de 32 150 euros o coloquem no mesmo patamar do Nissan Leaf, o Peugeot tem uma bateria de nova geração, com 50 kW/h, o que permite uma autonomia de 340 km, de acordo com o protocolo WLTP. E o mais surpreendente foi comprovar-se que os 100 kW (136 cv) de potência e 260 Nm de binário permitem acelerações fantásticas sem comprometer a autonomia, e isto em estradas alentejanas onde escasseiam zonas de travagem para poupar a bateria. Este e-208 promete ser um caso sério.