"Aposta no interior? A população do interior acolhe melhor os pilotos e as federações"

"Aposta no interior? A população do interior acolhe melhor os pilotos e as federações"
Rui Guimarães

Paulo Ferreira, presidente da Federação Portuguesa de Motonáutica, deu uma entrevista ao canal da federação onde falou sobre os apoios para a modalidade, a aposta no interior do país e os objetivos já no Campeonato do Mundo, em Vila Velha de Ródão.

A primeira pergunta não tem a ver com a motonáutica, mas sim pelo interesse pelo interior do país. Quer explicar esse interesse?

"O interior do país não pode ser abandonado e o facto de ter menos população e menos recursos financeiros, não pode ser um entrave, ou seja, não é por isso que deve ser deixado ao abandono. Essa é uma das políticas que eu sigo, defendo e continuo a defender, até porque a população do interior sabe acolher melhor os pilotos e as federações. As outras cidades já têm muitos eventos, o que mais eles têm é eventos. Aqui não é assim e nota-se o entusiasmo e a alegria das pessoas. Eu não gosto que as pessoas olhem como sendo mais um evento, eu gosto que para as pessoas seja o evento. Aqui fala-se e aguarda-se pelo evento o ano todo."

Mas isso não lhe traz mais dificuldades, ao nível dos apoios, dos patrocínios, de um orçamento compatível com um Campeonato do Mundo, como é o caso?

"É uma verdade, esse é um obstáculo grande, mas para isso é que existem os dinheiros públicos e é aqui que eu digo que a Federação Portuguesa de Motonáutica recebe verbas públicas e eu invisto-as aqui. Qualquer auditor que me pergunte onde está o dinheiro que o estado fornece para o erário público eu respondo que está aqui, está aqui no interior. Eu não dou palavras, eu dou os atos, está aqui o dinheiro investido."

Disse na conferência de Imprensa que não houve apoio do Instituto do Turismo de Portugal...

"É verdade, não houve."

É estranho, não é?

"Não me parece. Se isto fosse nos grandes centros, no Porto ou em Lisboa, garantidamente havia dinheiro do turismo. Mas, mesmo assim, deixe-me dizer-lhe que temos Castelo Branco esgotado, Vila Velha de Ródão esgotado, isto em termos hoteleiros, mas em termos de apoio do Turismo temos zero. Nem sequer o presidente do Turismo do Centro se digna vir à prova, diz que não pode, que tem compromissos. Mas isto é uma vergonha e não comparecem porque não apoiam. Se apoiassem vinham a correr."

O que sente perante isso?

"Revoltado. Sinto uma revolta muito grande. Por serem menos, abandonam as pessoas, e isso revolta-me. Mas eu não mudo a minha política."

Isso revela alguma coragem, no fundo anda a desbravar caminhos por onde quase ninguém anda...

"É verdade, mas vou continuar com esta minha política, na minha cabeça eu estou correto, se me disserem que estou errado, que mo provem. Mas este é um desafio que eu lanço aos outros: fazer eventos no interior. Porque fazer nos grandes centros, nas câmaras com muito capital, onde se pede e eles dão, não é desafio nenhum. E dou o exemplo da Volta a Portugal, em que uma chegada pode custar 50 mil euros. Seria impensável vir pedir isso a um município destes para apenas uma chegada numa tarde. No fundo, é o que eles têm para oferecer. O meu protocolo com Vila Velha de Ródão é de 25 mil euros para estar aqui cinco dias e é um campeonato do mundo com duas etapas e que tem um custo de 180 mil euros, com pessoas de vários pontos do mundo, com os hotéis todos esgotados. Isto é que é investimento, porque esta prova é paga pelos sponsors, não é pelo município, o valor que o município dá é a nível logístico."

No fundo admite que investe verdadeiramente no interior de Portugal?

"Claro que sim, se não vejamos que no ano passado foi em Baião, agora é Vila Velha de Ródão. Trata-se mesmo de interior e trata-se de uma política que será para manter pelo menos enquanto eu for presidente da Federação."

Relativamente à prova, quais são as expectativas que tem?

"Eu não escondo que quero ser campeão do mundo aqui, eu quero que o Duarte [Benavente] seja campeão do mundo em Portugal. Foi para isso que eu trabalhei, um ano a trabalhar para o Duarte ser piloto do Marítimo, falei com o presidente Carlos Pereira, arranjei os apoios para o Duarte, tenho lutado com todas as minhas forças para que o Duarte seja campeão do mundo. E vou fazer tudo para o conseguir, eu fui à Lituânia acompanhar o Duarte, estive na Madeira a acompanhar a apresentação do barco novo. É verdade que na Lituânia eu estava eufórico e continuo."

Isso não coloca alguma pressão no Duarte Benavente?

"Não, não lhe coloco pressão alguma, mas sempre lhe digo que este é um trabalho com um objetivo, que é, pela primeira vez, termos um campeão do mundo em Portugal. E se não for este ano, há-de ser para o próximo, jamais pararei de trabalhar."

Ser um objetivo é coisa, acreditar mesmo é outra. Acredita verdadeiramente que o Duarte pode ser aqui campeão mundial de GP2?

"Acredito, acredito mesmo. Se não acreditasse, não trabalhava. Acredito cegamente que vou festejar o título."

Mesmo sabendo que a concorrência é fortíssima...

"É muito forte mesmo, está cá o atual campeão da Europa, está aqui um campeão do Mundo de Fórmula 1, a equipa do Dubai trouxe um piloto muito mais experiente, que também já foi campeão do mundo de F1, isto está muito equilibrado e será muito difícil."

De alguma forma está nervoso?

"Sim, não escondo algum nervosismo, também o sinto, é natural, porque eu quero muito ser campeão do mundo."

Ter um campeão do mundo é um dos grandes objetivos enquanto presidente da Federação Portuguesa de Motonáutica...

"Era sim. Eu queria fazer obras na sede, ter a sede nova, e temos, outro era ter medalhas e já conseguimos com os nossos miúdos, era também desenvolver a formação, o que também estamos a levar a cabo e o objetivo que para mim é o topo era ter um campeão do mundo nos barcos do powerboating. Se o conseguir sentir-me-ei realizado e pronto para passar a pasta, embora ainda me falte um ano e meio."

Fala sério?

"Pode ser. Não é uma garantia, mas pode ser. O que eu quero para já é cumprir os meus objetivos todos na Federação. Falta um, pode ser que seja já esta semana. Eu acredito."