COP confia que Tóquio'2020 vai realizar-se para dar "safanão" à pandemia

COP confia que Tóquio'2020 vai realizar-se para dar "safanão" à pandemia
Redação com Lusa

O secretário-geral do COP, José Manuel Araújo, diz que há "sinais encorajadores" de que o evento se realize mesmo na capital do Japão.

A realização dos Jogos Olímpicos Tóquio'2020, adiados para 2021, daqui a seis meses trará um "safanão" à pandemia da covid-19, com o Comité Olímpico de Portugal (COP) a manter a confiança que o evento avança.

Segundo o secretário-geral do COP, José Manuel Araújo, há "sinais encorajadores" de que o evento se realize mesmo na capital do Japão, depois de um ano de adiamento, até porque a realização do evento pode dar "um safanão" a caminho de "um final que se espera vez mais próximo" do impacto pandémico no mundo.

"A convicção de que os Jogos vão acontecer resulta de muitos sinais que vamos tendo. Temos tido reuniões regulares com o presidente do Comité Olímpico Internacional. (...) Vivemos um momento mais agreste para Portugal, mas em dois ou três meses a situação pode melhorar bastante", atirou, em entrevista à Lusa.

O dirigente espera ainda que "a primavera e o verão tragam melhores notícias que o inverno", no país, e que o contacto, quer com o COI quer com o Comité Organizador, deixa o COP confiante de que vai em frente, estando "preparado para participar" no evento, que arranca em 23 de julho.

Portugal conta já com 35 apurados, ainda longe dos 70 a 80 que o COP anunciou como objetivo para estes Jogos, e muitos destes atletas terão de se preparar no meio de um novo confinamento geral, além de tentar competir ou para aumentar ou manter a posição no ranking, ou participar em torneios pré-olímpicos de qualificação.

Com várias provas marcadas para janeiro a serem adiadas para os meses seguintes, dado o recrudescimento do impacto pandémico, em número de novos casos e mortos, em vários países, entre eles Portugal, José Manuel Araújo não vê dificuldades de maior para o grosso dos portugueses à procura de se apurarem na eventualidade de um cancelamento desses torneios.

"A estimativa que temos é que não haverá uma situação de que sem aquela prova o atleta não consegue lá chegar. Há alguns atletas que estão na expectativa de ir aos Jogos e, sem algumas provas, a situação fica mais crítica, mas a grande maioria tem a perceção de que se fecharem os rankings agora, são apurados aqueles que estão naturalmente nesse ponto de qualificação", garantiu.

O novo confinamento geral em Portugal, de resto, é diferente do decretado em março do ano passado, porque os atletas já tiveram "alguma adaptação e perceção" das dificuldades, com menos dúvidas e ansiedade do desconhecido.

O chefe de missão, Marco Alves, salienta, à Lusa, que "as preocupações com o novo coronavírus são evidentes", porque "os atletas não querem estar contaminados", algo que já aconteceu, sobretudo pela "paragem na preparação" que implica, além da debilitação do sistema imunitário.

"Estamos a falar de pessoas que se adaptam muito rapidamente, a desafios, contextos, obstáculos. O que está a acontecer é que estão a perceber que a situação não está diferente do ano passado. Há efetivamente esta confirmação de que vai haver Jogos. (...) Os atletas estão mais preparados para esta fase, porque já criaram estratégias no ano passado", explica.

Para o secretário-geral, o Mundial de andebol atualmente a decorrer, com a seleção portuguesa a participar, como estará no pré-olímpico de março, é a prova de que juntar "um conjunto largo de atletas presentes", mesmo que num torneio sem público, prova que as equipas "conseguem manter os níveis competitivos normais" no meio de uma pandemia.

"Temos fundadas certezas de que as provas de qualificação vão acontecer, desde logo a do andebol. Não vejo razões para vermos limitações nas qualificações", confirmou.

O chefe da missão portuguesa refere que a principal dificuldade é "lidar com o desconhecido", até 23 de julho, mas que "os prazos estão a ser cumpridos" até lá, por uma questão de preparação, até porque "os Jogos não se organizam em dois dias", adaptando-se às mudanças que vão surgindo do Comité Organizador.

"É nessa perspetiva, também, que todos os atletas estão a trabalhar. Mesmo que haja dúvidas, não há espaço para que não se trabalhe nesse sentido. A acontecerem, as coisas têm de estar preparadas, e os atletas têm de estar preparados para atacar o que ainda falta da qualificação e para a fase final", comenta.

A maior perda, diz José Manuel Araújo, é no aspeto que faz de quaisquer Jogos Olímpicos "muito mais do que um evento desportivo", pelo lado social, de encontro entre povos, e por toda a envolvência ao torneio, como a Casa de Portugal, um projeto de divulgação da cultura portuguesa que, desde já, está "de parte", por não haver uma garantia de que o público possa marcar presença em Tóquio.

"Aí, há algum sentimento de tristeza por não podemos estar nos Jogos em todas as dimensões, não só na desportiva, mas também na social. (...) A euforia desportiva por ver acontecer os Jogos vai fazer ultrapassar todas as dúvidas quanto à sua realização. Quando começar a acontecer, e as pessoas sentirem o fervor e a alegria do olimpismo, aí sim, poderemos dar um sinal positivo ao mundo", atirou o dirigente, que quer uma "grande festa desportiva e olímpica".