Judo/Europeus: Catarina Rodrigues vê federação pronta "para desafios maiores"

Judo/Europeus: Catarina Rodrigues vê federação pronta "para desafios maiores"
Redação com Lusa

A diretora desportiva da União Europeia de Judo (EJU), Catarina Rodrigues, afirmou este sábado que a Federação Portuguesa de Judo (FPJ), da qual também é diretora de atividades, está preparada "para desafios maiores", após organizar os Europeus em Lisboa.

"Os "feedbacks" que temos tido são muito bons. O presidente da federação francesa veio dar-me os parabéns, que foi o melhor evento onde já esteve, isto vindo de um francês, que organiza anualmente o "grand slam" de Paris. Tivemos um treinador holandês a perguntar quando é que organizamos o campeonato do Mundo. Estamos preparados para desafios maiores", considerou.

Apesar de entender ser "difícil escolher", Catarina Rodrigues acredita que "era mais prestigiante" ter um evento fixo em Portugal, como os "grand slams", que se realizam anualmente no mesmo local, ao invés de um Mundial, até para "ter a equipa oleada".

A FPJ recebeu na sexta-feira, durante o primeiro dia de competição em Lisboa, o galardão de melhor organização de 2019, atribuída à realização da Liga dos Campeões de judo, por equipas, no Pavilhão Multiusos de Odivelas, nos quais o Sporting conquistou o primeiro lugar na vertente masculina.

A prova continental está a decorrer na Altice Arena, sob fortes medidas restritivas, devido à pandemia de covid-19, com todos os elementos, entre atletas, comitivas, "staff" e imprensa, a permanecerem numa "bolha" durante os dias da prova, entre sexta-feira e domingo, tendo, para tal, de ter apresentado um teste com resultado negativo à chegada ao hotel, que se junta a outros dois negativos nos dias anteriores.

"Acho que marcámos um paradigma para outros eventos. Por norma, as pessoas ficam entre 12 a 24 horas no quarto à espera dos resultados [dos testes]. Nós instalámos um minilaboratório num dos hotéis e temos uma equipa do laboratório da Universidade de Coimbra connosco. Portanto, não estamos dependentes de nenhuma entidade exterior", explicou.

Assim, dependendo do fluxo a que chegam as equipas, houve "pessoas que esperaram menos de uma hora, no máximo quatro horas": "Tem sido realmente referido como uma marca e um exemplo a seguir. É um trabalho de bastidores excecionalmente exigente em termos administrativos e científicos".

A antiga judoca enalteceu o facto de nenhum elemento previsto na "bolha" ter testado positivo após a chegada a um dos três hotéis que se aliaram à organização, apesar de alguns contratempos com resultados positivos nas despistagens ao novo coronavírus realizadas nos dias anteriores à prova, que levaram a alguns cancelamentos ou adiamentos inesperados.

"Um atleta português [Bernardo Tralhão] teve um teste positivo antes de vir e há quem não tivesse viajado. A Grã-Bretanha retirou a equipa toda e a Croácia retirou duas atletas, uma delas mesmo em cima do sorteio. Inicialmente, teríamos 18 árbitros da EJU, acabaram por ser 14, pois houve quatro testes positivos", exemplificou.

Medalha de bronze nos Mundiais de Munique, na Alemanha, em 2001, Catarina Rodrigues apontou este evento como uma série de desafios logísticos, que passam pelos testes, transportes, alojamento e pela vertente desportiva, que é onde se sentem "mais à vontade", embora tenham tido necessidade de "ajustar um pouco o "Tetris" para, no fim, acabar certo".

"Estamos a organizar com um grande esforço das pessoas envolvidas", vincou, lamentando o cenário "desolador" do recinto sem público nas bancadas.

Após dois dos três dias de prova, Portugal já conquistou três medalhas: o "ouro" de Telma Monteiro, em -57 kg, e os "bronzes" de João Crisóstomo, em -73 kg, e de Bárbara Timo, em -70 kg.