A maior de todas as baixinhas

Ver Mamona a saltar 15,01 metros é uma proeza como a que, em 1986, colocou Spud Webb na história da NBA, ao ganhar o concurso de afundanços tendo 1,68 metros.

Quando Patrícia Mamona estava no início de carreira - e começou por ser uma especialista de provas combinadas - disseram-lhe que não servia para o triplo salto, por ter 1,70 metros. Teoricamente tinham razão, mas ainda bem que ela foi teimosa e por sinal tinha um treinador que também acreditou ser capaz de contrariar as limitações da genética.

Creio que, perante esta explicação, percebem melhor se eu escrever agora que a medalha de prata de Mamona, e sobretudo com um salto que a colocou no exclusivo clube dos 15 metros do triplo feminino, é um dos maiores feitos da história do desporto português.

Ver Mamona a saltar 15,01 metros é uma proeza como a que, em 1986, colocou Spud Webb na história da NBA, ao ganhar o concurso de afundanços tendo 1,68 metros. A atleta do Sporting desafiou os limites humanos com uma exibição perfeita, portanto merece todos os elogios e comendas que este país lhe conseguir dar. O seu feito é fruto de imenso trabalho e uma dedicação e foco que impressionam, sobretudo sabendo-se que é a mais famosa atleta portuguesa da atualidade e responde sempre a um nunca acabar de solicitações fora da pista.

Parabéns ainda, muito particulares, a José Sousa Uva. Colocar Mamona nos 15 metros é um feito superior ao de ter Yulimar Rojas, uma atleta com pernas até ao umbigo, nos 15,67 metros do recorde do mundo - aliás, com um "step" (segundo dos três saltos) tão defeituoso, a venezuelana estará nos 16 metros quando atingir a perfeição. Uva é um dos melhores treinadores do mundo e para mim, a partir de agora, é mesmo o melhor do mundo.