As estranhas mortes dos jovens ciclistas belgas

As estranhas mortes dos jovens ciclistas belgas
Carlos Flórido

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Tombam vitimados por ataques cardíacos, mas ninguém se preocupa ou acha suspeito. São desconhecidos, não interessam

Niels de Vriendt, 20 anos, Jarne Lemmens, 15, Robbert de Greef, 27, Jimmy Duquennoy, 23, Jeroen Goeleven, 25, Michael Goolaerts, 23, Bjarne Vanacker, 20, Gijs Verdick, 21, e Daan Myngheer, 22. Provavelmente o leitor não conhece nenhum dos nomes, nem tem obrigação disso, pois estes sete belgas e dois holandeses eram todos ciclistas ou em início de carreira ou em equipas secundárias. O tempo do verbo não está errado. "Eram", porque morreram todos nos últimos quatro anos e da mesma causa: problemas cardíacos.

Este sábado foi Niels de Vriendt a cair inanimado numa pequena corrida belga e as autoridades locais apressaram-se a dizer não existir nada de suspeito nem ser necessária autópsia, a não ser que a família a pedisse.

Não queremos insinuar haver suspeitas. Poderá ser só uma triste coincidência. Mas nove mortes por paragem cardíaca desde 2016 são algo que, no mínimo, deveria originar uma investigação. Para se perceber se é mesmo coincidência.

Mas da Bélgica ou da Holanda nunca se soube dessa intenção, e percebe-se porquê: nenhum dos nove se chama Armstrong, Contador ou Pantani; nenhum ganhou a Volta a França ou esteve sequer perto de nela alinhar. E no desporto - escrevo isto com a mais profunda tristeza - são poucos os que dão importância a atletas desconhecidos. Mesmo quando morrem em série.