Premium A entrevista não deu sorte

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DESCALÇO NA CATEDRAL - Tenho todo o respeito por Rui Vitória, mas talvez o seu trabalho no Benfica tenha chegado ao fim

Bem, não se pode dizer que a entrevista de Luís Filipe Vieira tenha inspirado a equipa do Benfica. O jogo de sexta-feira foi triste-mas-triste. O passe do miúdo Félix e o golo do renascido Jonas, aos três minutos, só serviram, afinal, para que os nossos corações caíssem de mais alto. Que desalento, não é verdade, caros amigos? Mas, sim, tenho para mim que o descalabro dos nossos futebóis na Luz não começou quando o árbitro apitou nessa sexta-feira cortando a fita dos noventa minutos, mas antes, no princípio da semana, quando, em frente às câmaras, Vieira não só se mostrou estranhamente agarrado ao lugar como ainda cometeu a heresia de se confundir com a instituição do Glorioso e a blasfémia de se atirar a António Simões, uma lenda do benfiquismo e um verdadeiro senhor do futebol. Foram pecados graves, inadmissíveis, que só ajudam ao mau ambiente e à nervoseira. Uma energia negativa que acaba por complicar o trabalho dos artistas no terreno. Agora, é claro que nem toda a malapata do mundo da bola explica o dilúvio da partida com o Moreirense. Aquilo foi um desastre de organização e cabecinha de escala olímpica. E o pior é que não é a primeira vez - o que nos leva ao segundo parágrafo desta desalentada crónica que eu preferia não ter de escrever.