Heróis e questões

João Araújo

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André Almeida poupou o Benfica à humilhação, num dia em que a falta de comparência portista deixou muitas perguntas por responder.

1 A entrada dos grandes e a inexistência de limitações à lotação dos estádios devolveram à Taça o caráter de festa ímpar, onde equipas de escalões mais baixos vivem momentos inesquecíveis ao defrontarem, em alguns casos, ídolos ou adversários que costumam ver na TV (devia ser instituído o "vírus Taça" para o regresso dos mais modestos à normalidade dos respetivos campeonatos!).

A festa da Taça também teve o condão de elevar à categoria de herói aquele que salvou o Benfica da vergonha suprema na Trofa: André Almeida, jogador de equipa por excelência, já jogou a médio, é lateral-direito numa defesa a quatro, ontem foi central direito numa defesa a três e acabou a lateral canhoto, onde, de resto, fez o golo vitorioso, epílogo feliz para os dez meses longe dos relvados por lesão.

2 A ausência da equipa de basquetebol do FC Porto do encontro em casa da Ovarense foi o cumprimento da promessa feita pelos dragões de não comparecerem a jogos para os quais fossem nomeados os árbitros (ou algum deles) do último desafio da final da época passada, ganha pelo Sporting graças a surreais últimos segundos. Por muita que seja a razão que lhes assista em relação à arbitragem dessa partida (cujo desfecho já não será alterado!) e por muito que seja louvável (e de elementar honestidade) o cumprimento de promessas e da palavra dada, a atitude de ontem levanta várias questões. A começar pelo comportamento futuro caso volte a ser nomeado um elemento do trio de arbitragem em questão - nova falta de comparência? À segunda consecutiva ou terceira intercalada, o regulamento diz que haverá lugar à exclusão da competição. Vão voltar atrás depois deste passo tão definitivo? E se esses juízes não voltarem a ser nomeados, terá sido casualidade ou cedência da federação?

Numa temporada em que os azuis e brancos têm novamente uma equipa forte, como demonstra a vitória no Pavilhão João Rocha, casa do campeão Sporting, é de lamentar que possa ter sido aberto um precedente que conduza ao empobrecimento da luta pelos troféus internos, eventualmente reduzida a dois candidatos.