Valor do coletivo versus o das individualidades é um dos maiores debates do futebol

Valor do coletivo versus o das individualidades é um dos maiores debates do futebol
João Araújo

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A Liga das Nações opõe uma França recheada de estrelas a uma Espanha com jovens promissores. Faz sentido opor um conceito ao outro?

Luis Enrique lançou a final de hoje da Liga das Nações com uma afirmação que foi, em simultâneo, um desafio aos seus jogadores: disse o selecionador espanhol que será um duelo entre uma equipa com os melhores valores individuais, a França, e outra que terá de se impor através do coletivo.

Valor do coletivo versus o das individualidades é um dos maiores debates do futebol (e provavelmente dos mais irresolúveis), especialmente desde que as superestrelas começaram a pairar acima das próprias equipas.

Luis Enrique treinou uma das maiores e mais mediáticas, Messi, integrado numa equipa do Barcelona que teve muito sucesso. Tal como faz Deschamps nesta França de Griezmann, Pogba, Mbappé ou Benzema (e como aconteceu nas seleções gaulesas campeãs mundiais e europeias de que fez parte).

Ou como tem sucedido ao longo da carreira de Cristiano Ronaldo, não obstante as críticas quanto ao egoísmo, ao jogo excessivamente direcionado para ele e dependente dele e a sua obsessão pelos recordes. Ainda que possa parecer um pensamento enviesado, essa busca pessoal pelos recordes e pela certeza de ficar na história do futebol e do desporto acaba por ser um motor que arrasta todos em volta. Claro que "hat tricks" na Suécia e à Espanha na fase final de um Mundial ou os dois golos que deram a vitória sobre a Irlanda nos instantes finais do encontro são episódios e não constantes. Mas é-o essa presença inspiradora para os companheiros e intimidante para adversários.

Talvez o verdadeiro debate não devesse opor individualidades ao coletivo mas centrar-se no apuramento do que são individualidades: Jorginho não é Messi e muito menos Ronaldo, mas é uma individualidade por via do trabalho e dos troféus no Chelsea e na seleção italiana. A UEFA deu-lhe o prémio de Melhor Jogador da Europa e é sério candidato a ganhar a Bola de Ouro, embora não seja o típico ídolo que uma criança sonha imitar. Ao contrário do que provavelmente será algum ou vários dos espanhóis que vão hoje a jogo se a teoria de Luis Enrique for bem sucedida.