Premium O campeonato que só aceita grandes milagres

O campeonato que só aceita grandes milagres
José Manuel Ribeiro

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Os 48 pontos recorde do Benfica deturpam todos os timings, racionalidades e perspetivas.

Um campeonato que obriga os candidatos a ganhar os jogos todos não é exatamente recomendável para as equipas curtas de finanças que mudam cinco titulares de um dia para o outro. Sabem quantas épocas levou Herrera até ser tolerado pelos adeptos do FC Porto? Lembram-se dos dois primeiros anos de Rafa no Benfica? Ou do primeiro de Pizzi? Salvio tinha 19 jogos, dez deles a titular e quatro golos ao fim dos primeiros seis meses no Benfica. Luis Díaz, reforço do FC Porto, leva 28 (17 a titular) e dez golos. Não chega. Os 48 pontos do Benfica são recorde absoluto numa primeira volta, à frente dos 47 de André Villas-Boas em 2011, e deturpam todos os timings, racionalidades e perspetivas.

Nota artística à parte (já lá vamos), os 41 pontos de Sérgio Conceição nesta primeira volta estão muito perto do top 10 das melhores classificações, e a derrota de anteontem com o Braga foi muito diferente da anterior, em 2005, quando Jesualdo Ferreira veio do Minho enxovalhar Victor Fernandez (1-3). A I Liga terá enfraquecido tanto que dez pontos perdidos são agora incomportáveis para um candidato? Em 2003/04, José Mourinho perdeu vinte. Este mundo de Bruno Lage é completamente novo e muito ingrato para Sérgio Conceição. Desde o título em 2017/18, o Benfica "comprou" algumas das características que permitiram a esse FC Porto superiorizar-se. Gabriel e Vinícius deram-lhe potência e agressividade, por exemplo. Mas o FC Porto perdeu quilowatts (Ricardo Pereira e agora Herrera) que não foram bem substituídos, ou, pelo menos, substituídos por equivalentes. E, das coisas boas do Benfica, não foi buscar quase nada. O trato da bola não melhorou, e o discernimento também tarda em ser, sequer, comparável. O dinheiro pesou, claro.