Premium O mundo que se pode mudar

Os jornais desportivos não vão transformar-se no cúmulo do altruísmo e da filantropia, mas é preciso que continuem como estão

É verdade: um clube grande da I Liga de futebol faz, em receitas de televisão e bilheteira, pelo menos 14 vezes mais do que o adversário mais pobre. Mas também é verdade que esse adversário mais pobre faz, em receitas de televisão e bilheteira, mais do que todas as equipas juntas de alguns dos campeonatos de outras grandes modalidades. E algumas dessas grandes modalidades têm cem vezes mais adeptos e mais dinheiro (e menos queixas) do que outras. Acho que nunca escrevi isto, mas é a vida, e, perante a vida, há que perceber o que se pode mudar e o que está fora do alcance.

Do encontro entre os selecionadores de andebol, basquetebol, voleibol e hóquei em patins que O JOGO organizou sem intenções propagandísticas, nem (juro) para fingir ser o que não somos, saiu essa mensagem de sereno realismo, muito conhecimento de causa e um profissionalismo que contrasta com a desproporcionalidade descrita nas linhas iniciais. Não serão primeiras páginas muito mais vezes em 2020, e quem não entende os motivos, lá está, não entende a vida nem o mundo em que vive, mas serão muitas páginas interiores, todos os dias, muitos artigos no nosso site, muitos artigos de opinião, e não porque O JOGO seja especialmente altruísta, mas apenas porque eles são notícia relevante.