Iremos direcionar os nossos esforços para a realização destes 90 jogos

Iremos direcionar os nossos esforços para a realização destes 90 jogos
Sónia Carneiro

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LIGA-TE - A crónica de Sónia Carneiro, diretora executiva coordenadora da Liga.

Já se vê a luz ao fundo do túnel. Um foco, ainda longínquo, que nos impõe redobrado trabalho na organização dos jogos que restam, nas condições sanitárias e de segurança que o momento exige. Um túnel, porém, converge num único ponto de luz, quando almejávamos dois motivos brilhantes de celebração.
Acontece que, na ponderação dos riscos, o Governo entendeu que apenas seria possível concluir a Liga NOS, em recintos reavaliados e despidos da cor, do som e da festa dos adeptos nas bancadas.

Compreendemos a gestão do risco e da opinião pública, mas acabar a época em campo somente na Liga NOS não era a solução que preconizávamos e que detalhadamente sustentámos no Plano de Retoma das Competições, que partilhámos com o Executivo e com a Federação. É, porém, o resultado que nos impõem as circunstâncias e é a limitação que, agora, somos obrigados a cumprir e convocados a fazê-lo de modo a minimizar os danos que todas as 34 Sociedades Desportivas do futebol profissional sofreram e que a incerteza do futuro ainda lhes reserva.

Iremos, portanto, direcionar os nossos esforços para a realização destes 90 jogos que determinarão o campeão da Liga NOS da época mais inusitada que o futebol profissional alguma vez viveu, mas que mantém a competitividade e a emoção a que nos habituou, com apenas um ponto a separar os dois primeiros classificados.
Vamos mostrar ao país do que o futebol profissional é capaz. Não apenas em termos de capacidade de montar uma operação inédita em Portugal, que acrescenta ao vasto leque de competências habituais na nossa atividade, os especialistas em saúde pública e pandemias e os técnicos laboratoriais cujo esforço e dedicação nos permitirão fazer o nosso trabalho. Mas também levar a cada adepto as boas práticas que todos devemos observar.

Com efeito, a montra que o futebol também é será posta ao serviço das autoridades de saúde, exibindo, em larga escala e - estamos certos - com o maior rigor, pelos elementos que atuam na organização dos jogos, como devem ser cumpridas as medidas de distanciamento social, de proteção individual e comunitária e a ação fundamental nesta luta: testar, testar, testar.

O futebol não será a solução da pandemia, mas levará um conforto adicional aos adeptos que, no turbilhão das más notícias, reclamam a emoção de vivenciar um lance especialmente bonito da sua equipa ou aquele golo no momento decisivo que a levará à glória.

Com todas as suas limitações, o regresso da competição é o símbolo de que tanto carecemos e que nos une na esperança de um retorno progressivo à normalidade perdida.