Nem a ameaça de um recuo de última hora conseguiu pôr em causa a união dos clubes

Nem a ameaça de um recuo de última hora conseguiu pôr em causa a união dos clubes
Sónia Carneiro

Tópicos

LIGA-TE - Um artigo de opinião de Sónia Carneiro, diretora executiva da Liga.

Já sobram dedos numa mão para contar os dias para o primeiro jogo da retoma. 89 dias depois, a bola volta a rolar na competição profissional mais emblemática do nosso país, como afirmou o Presidente da Liga Portugal, já no final de março.

Ao fazê-lo, abriu o flanco à descrença generalizada e a paródias televisivas que, agora, desmentidas pelos factos, ganham renovado valor cómico.

A realidade veio demonstrar que, longe de ser gratuita, essa afirmação revelava a crença na capacidade do futebol profissional se unir para se autorregular, sob a coordenação da Liga Portugal e no respeito estrito das diretrizes do Governo e da Direção-Geral de Saúde.

Nem a ameaça de um recuo de última hora, ao arrepio de posições manifestadas e concertadas ao longo de 11 semanas, conseguiu pôr em causa a união dos clubes na vontade de reganharem o sentido da sua existência: competir.

O esforço de todos - e foram muitos! - desde a Liga Portugal, aos departamentos médicos, de futebol, jurídicos, de comunicação e de marketing das sociedades desportivas, à DGS, à UPS da FPF, à AMEF e aos dois consultores em pneumologia e saúde pública da Liga Portugal será, enfim, coroado, no próximo dia 3 de junho, um dia que ficará gravado na história do Futebol Nacional.

Não descansaremos sobre estes louros. A tarefa, que agora inicia, de transpor do papel ao relvado as medidas laboriosamente consensualizadas, impõe-nos uma dupla responsabilidade: assegurar a minimização dos riscos para a saúde dos atletas e dos outros (em número especialmente reduzido) intervenientes na organização dos jogos ao passo que damos o exemplo das regras de comportamento que obrigam toda a sociedade.

Num momento em que nos era vedado convocar o órgão magno que reúne todos os clubes, foi preciso fazer difíceis opções procedimentais, para assegurar a adaptação das regras gerais regulamentares às exigências do momento. Estas foram definidas com os preciosos contributos dos profissionais jurídicos dos clubes, que souberam vislumbrar as soluções que, neste estado de exceção, melhor aderem ao figurino legal e regulamentar vigente, até serem ratificadas na Assembleia Geral, que também se aproxima.

Os constrangimentos dos últimos meses não nos permitiram ter temor ou medo de tomar decisões, mas não nos restam dúvidas de que chegou o momento de reponderar as formas de decisão da Liga Portugal, para que se abra um novo Modelo de Governação.