O futebol merece mais

Sónia Carneiro

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Descrevemos um caso imaginado, mas decalcado do que se passou numa empresa no Norte do país: a Gil Vicente Futebol Clube - Futebol, SDUQ, Lda. Esta não é uma empresa comum porque lida com a pandemia com uma responsabilidade acrescida.

Um trabalhador de uma fábrica símbolo de uma região e determinante para a respetiva economia, manifestando sintomas que apontavam para um quadro clínico de covid-19 e (apenas), por esse motivo, testado, foi enviado para casa, de quarentena. Por ordem das autoridades de saúde, os demais trabalhadores da mesma empresa, centenas ou talvez milhares deles, são também colocados em isolamento profilático, por 14 dias, e a unidade produtiva encerrada por igual período, por não ter quem operasse a maquinaria, lançando a empresa num caos insolvente.

Descrevemos um caso imaginado, mas decalcado do que se passou numa empresa no Norte do país: a Gil Vicente Futebol Clube - Futebol, SDUQ, Lda. Esta não é uma empresa comum porque lida com a pandemia com uma responsabilidade acrescida. Trata-se de uma empresa especialmente escrutinada por imposição da Liga Portugal, que realiza testes regularmente (ao contrário das demais), que integra uma equipa médica nos seus quadros (ao contrário das demais), que responsabiliza no combate à pandemia para além do que impõem as diretrizes das Autoridades de Saúde... e que, por isso, não pôde desenvolver a sua atividade.

É justo?

Certamente que não. Ainda assim, serve para revelar, uma vez mais, o empenho dos clubes profissionais, aliás, já sublinhado pelos nossos governantes, que reconhecem o «comportamento exemplar» do sector, em que «tudo correu bem», na época passada, quando foi possível levar a bom porto a Liga NOS. Ora, se tudo correu bem, se já demonstrámos a nossa competência, com resultados, há que ser consequente!

O calendário desportivo partilha com o calendário comum a inconveniente característica de não esticar e o desta época está sobrecarregado de origem. Pelo que o avolumar de jogos adiados colocaria em sério risco a conclusão das competições, gerando a inviabilidade financeira do futebol profissional e a ruína dos que nele trabalham. É uma responsabilidade que o Estado e os decisores serão chamados a assumir.

Urge harmonizar os procedimentos das Autoridades de Saúde a nível nacional, regional e local, em concordância com a "covid-19 plano específico para o futebol profissional" elaborado pelos médicos do futebol profissional, aprovado pela Liga Portugal e com a alta chancela da DGS.

Todos temos o nosso papel a desempenhar nesta pandemia. O Futebol Profissional tem cumprido o seu, com seriedade e de forma consistente. Não pedimos menos de todos os que têm responsabilidades nesta área.