O Futebol Profissional não está de mão estendida

O Futebol Profissional não está de mão estendida
Redação

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LIGA-TE >> Um operador económico sério, como são a Liga e cada uma das sociedades desportivas suas associadas, não pretende esmolas do Estado, exige-lhe as medidas que a justiça e a pandemia impõem que sejam tomadas.

Por ocasião da última grave crise económica, um senhor holandês de nome impronunciável em português elegante, afirmou que os países do sul da Europa desbaratavam o dinheiro em copos e mulheres e depois estendiam a mão à solidariedade europeia. O chauvinismo ululante e a pura estupidez da afirmação ajudaram - e ainda bem - à liquidação do futuro político do senhor, mas a imagem, reciclada na expressão de que "vivíamos acima das nossas possibilidades", permaneceu.

Foi, assim, reconfortante ouvir o Presidente da Liga Portugal afirmar ao Expresso, sem tibieza, que o Futebol Profissional não está de mão estendida à espera da distribuição de verbas a fundo perdido. Julgo que a coragem para assim se expressar lhe advém do trabalho sério que a Liga tem feito na transformação do Futebol Profissional numa atividade económica, constituída por operadores de natureza societária, cada vez mais despertos para a crescente profissionalização desta indústria.

Um operador económico sério, como são a Liga e cada uma das sociedades desportivas suas associadas, não pretende esmolas do Estado, exige-lhe as medidas que a justiça e a pandemia impõem que sejam tomadas.

Vamos por partes: à exceção, talvez, de alguns subsetores da saúde, todas as atividades económicas sofreram e continuam a debater-se com os desafios da pandemia e é para dar resposta nestes momentos que o Estado existe. As linhas de crédito, a legislação especial sobre o trabalho e a autorização para medidas de gestão dos recursos humanos subaproveitados são legais, legítimas e devem ter a participação do Estado na mutualização dos riscos que a cobrança de impostos permite.

Mas fora do contexto pandémico, há um conjunto de medidas que não são qualquer favor ao Futebol Profissional, antes constituindo vetores de atuação reservados ao Estado e que tardam em ser por ele adotados. São os que o Presidente da Liga elencou: uma centralização justa dos direitos audiovisuais, um quadro legal dos seguros que não prejudique os clubes nacionais face a todos os seus concorrentes europeus, um regime jurídico das sociedades desportivas adequado à realidade, um quadro fiscal que não discrimine o futebol e medidas efetivas de combate à pirataria, que espolia o futebol dos seus ativos mais valiosos.

O tempo da subsidiodependência nacional ou local já vai longe e não deixou saudades. O tempo da justiça tarda em chegar, mas sabemos que o Governo está atento e, sem favores, a indústria do futebol irá superar (mais) esta crise com os seus ativos próprios, desde que implantadas as medidas já há muito reclamadas.