Regresso do público é imperativo moral que o Estado não pode ignorar

Regresso do público é imperativo moral que o Estado não pode ignorar
Sónia Carneiro

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A opinião de Sónia Carneiro, diretora executiva da Liga.

A Liga Portugal e as Sociedades Desportivas suas associadas continuam a mobilizar todos os esforços para garantir as condições de realização dos jogos das competições profissionais, com público, desde a primeira jornada.

Os planos estão prontos, são sustentados em pareceres técnicos, traduzem as recomendações de profilaxia dos especialistas em saúde pública e foram já apresentados ao Estado e à Federação Portuguesa de Futebol. Se vai existir coerência e se este plano vai ser aprovado pelo Governo e pela DGS... isso são outras touradas!

O regresso do público, em condições detalhadamente reguladas e reservado a uma percentagem da capacidade dos recintos, é um imperativo financeiro e desportivo, certo. Mas é também um imperativo moral que o Estado não pode ignorar. Desde logo, porque o mesmo Estado que permite a Festa do Avante (que não é um comício...), a festa brava e a festa do livro, não pode discriminar a festa do desporto-rei, há tanto tempo confinada à solidão de quatro paredes e ao eco vazio dos lances nas bancadas desertas.

Mais decisivamente, porém, o regresso do público aos estádios é o pagamento de uma dívida de gratidão do Estado aos cidadãos. É o pagamento a um conjunto de Sociedades Desportivas profissionais (da LigaPro) que aceitaram o sacrifício de não completar o seu campeonato, abrindo espaço a que as demais (da Liga NOS) servissem de exemplo de boas práticas e plataforma de divulgação de campanhas de sensibilização dos cidadãos para as necessidades desta nova realidade.

Esta dívida não se paga com palavras. Embora nos sintamos muito honrados e humildemente reconhecidos pelas considerações tecidas pela senhora diretora-geral da Saúde e da senhora ministra da Saúde, que assinalaram o "comportamento exemplar" do futebol profissional, em que "tudo correu bem", esta dívida paga-se com atos.

Por isso, e cientes do trabalho que deu conquistar esta confiança, propusemos a realização de um jogo de teste que habilitasse a Liga Portugal, as suas associadas e os técnicos da DGS com dados analíticos concretos, que permitissem afinar a proposta já apresentada. Infelizmente, o requerimento bateu na trave, mas o jogo continua e a força do Futebol Profissional está muito longe de se esgotar num tiro que, embora certeiro, ainda não alcançou o tento da vitória.