Retoma acontecerá graças à união de esforços dos cidadãos, agentes desportivos e decisores

Retoma acontecerá graças à união de esforços dos cidadãos, agentes desportivos e decisores
Sónia Carneiro

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LIGA-TE - A crónica de Sónia Carneiro, diretora executiva coordenadora da Liga

Como escrevi nas últimas semanas, a indústria do futebol parou, o que levou a sérias consequências desportivas e económicas. As decisões foram-se sucedendo e cumulando com comentários de acordo e desacordo. Porém, quem decidiu fê-lo sempre de acordo com as exigências do momento. E se, a dada altura, também nós sentimos necessidade de questionar as opções do Governo, fizemo-lo conscientes de que António Costa se revelou, na adversidade, um líder capaz e eficiente, a quem podemos atribuir boa parte do mérito de levar o povo Português a inverter a curva.

À suspensão das competições sucedeu-se a restrição do treino. E se é verdade que os atletas profissionais (e os técnicos de saúde que os acompanham) sempre estiveram expressamente autorizados a circular na via pública por motivos de saúde, desde o decreto de 2 de abril, passaram a poder aceder às instalações desportivas para treinar. Foi neste quadro legal que, apesar de continuar a haver reservas por parte da Liga e dos médicos para que isso não aconteça enquanto durar o Estado de Emergência, o Nacional da Madeira regressou aos treinos e outros o seguirão, sempre respeitando um distanciamento social especialmente exigente numa modalidade coletiva.

Hoje percebi a razão por que o sol decidiu aparecer quando vi o eco das preocupações específicas que o futebol profissional levou ao Governo refletidas nas declarações do primeiro-ministro ao Expresso. Ao contrário das demais atividades, a retoma do futebol não se poderá fazer de um dia para o outro; os atletas terão que ser progressivamente reinseridos, através do treino, na sua atividade mais típica: a competitiva. Se sempre estivemos seguros da retoma da época, agora estamos convictos de que isso acontecerá brevemente, graças à união de esforços dos cidadãos, agentes desportivos e decisores.

Em plena II Guerra Mundial, Churchill afirmou: "Quanto mais tempo a Grã-Bretanha e a América combaterem lado a lado, quanto mais feroz for o combate, quanto maior o esforço que façam em conjunto, mais intimamente esses dois ramos da família de língua inglesa se unirão, mais leal será a sua camaradagem e mais o conflito formará um vinculo entre elas. É isto o que é justo que ambicionemos como alicerce do mundo do futuro quando a guerra terminar."

A união da família do futebol: sociedades desportivas, Liga, Federação, Sindicato, Associação de Treinadores, associações distritais e um Estado já alertado para as necessidades da indústria e a dar respostas eficientes são os alicerces para o futuro quando este vírus abrandar.

A bola vai voltar a rolar, os adeptos vão voltar a apoiar, mesmo que à distância, patrocinadores vão voltar a apostar, o futebol vai regressar e o verde dos nossos relvados vai receber, com alegria, as cores do Talento dos nossos jogadores.